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Análise

Día de Vivos na classificação do GP da Cidade do México

No Autódromo Hermanos Rodriguez, onde a Red Bull parecia melhor, a Mercedes – com o demitido Bottas – conquista a pole, mostrando que estão muito vivos na luta pelo título

A cultura mexicana é belíssima: uma união de uma tradição milenar de civilizações pré-colombianas, temperada com as influências espanholas vindas dos conquistadores e aprofundada pela tenacidade de um povo vigoroso e obstinado. Assim como a cultura brasileira, tudo isso se reflete em um colorido que vemos em festas, na culinária e em diversas representações marcantes.

Nesta classificação para o GP da Cidade do México, no Autódromo Hermanos Rodriguez, a Mercedes e, surpreendentemente, Valtteri Bottas buscaram forças nessa cultura riquíssima para declarar: este sábado, 6, é Día de Vivos.

Dia de quem ainda está muito vivo no campeonato.

Hamilton não foi pole, mas a dobradinha da Mercedes na classificação foi boa para o heptacampeão (Crédito: Twitter / @MercedesAMGF1)

Se não entendeu o trocadilho, vale a lembrança: um dos feriados mais importantes do México é o Día de Muertos, Dia dos Mortos em português. A celebração, que acontece entre 1º e 2 de novembro – coincidindo com Dia de Todos os Santos e Finados dos cristãos – tem origens na cultura nativa e celebra de forma alegre (e não com pesar, como fazemos) aqueles que morreram.

Uma celebração de beleza ímpar, que valoriza o legado de quem já se foi e nos lembra que a vida é curta – e, que em vez de ver isso com tristeza, tal realidade deve nos dar forças para continuar. Celebra-se a vida por meio da constatação da inevitabilidade da morte.

Poucos dias depois – quando, em alguns lugares, ainda se comemora o Día de Muertos -, a Fórmula 1 chega à Cidade do México, antiga capital Azteca e berço de muito dessa cultura. Faltando cinco GPs para o final da temporada, este é um ponto importantíssimo para o campeonato: se a Mercedes e Lewis Hamilton falharem aqui, ainda que mantenham as chances matemáticas, podem se tornar mortos-vivos na luta pelo título.

É aí que entra a classificação de hoje. A Red Bull parecia ter o melhor carro do fim de semana até aqui, com Max Verstappen fazendo o melhor tempo de sexta e o herói local, Sergio Pérez, com a melhor volta do último treino livre, de sábado. Parecia barbada: o holandês ou, quem sabe, o mexicano fariam a pole.

Porém, na hora da verdade, a Mercedes cresceu – muito por conta de inovações que vem implementando em seus carros. Agora, não foi com Lewis Hamilton, como era esperado, mas com Valtteri Bottas – que, realmente, tem como o seu melhor momento a velocidade em volta rápida.

Claro que o erro de Pérez na volta rápida derradeira também colaborou, assim como o tráfego enfrentado por Verstappen nessa última tentativa.

Parecia que a Red Bull tinha o melhor carro do fim de semana – parecia… (Crédito: Twitter / @RedBullRacing)

Sem ter nada a ver com isso, Bottas, na comemoração pela pole, evocou o México. Curioso, até porque o público queria mesmo ver uma conquista de Pérez. Mas, dando asas à imaginação, é um agradecimento pela energia mexicana que emanou para o piloto, de alguma forma.

Na semana do Día de Muertos, a Mercedes conquistou os dois primeiros lugares do grid do GP da Cidade do México e fez deste sábado, 6 de novembro, o seu Día de Vivos. Dia de quem segue vivo na luta pelo título.

Isso sem falar que se deu bem aquele que cumpre aviso prévio, que será substituído por George Russell em 2022.

Agora, o time anglo-alemão vai precisar se esforçar para manter o momento amanhã, na corrida – afinal, essa (na teoria) ainda é uma pista para a Red Bull. Vão torcer para a esperança não ser efêmera.

Não sei você, mas eu vou ficar aqui da mesma forma que faço com as celebrações do Día de Muertos: torcendo pela beleza da festa, independente de como ela terminará.

Viva a vida.

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