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Análise

Faltou um simples protocolo para chuva no GP da Bélgica

Direção da prova em Spa-Francorchamps permitiu duas voltas atrás do safety-car, em sucessivos e irritantes adiamentos. Pilotos conquistaram metade dos pontos estabelecidos, com Verstappen a três do líder Hamilton

GP da Bélgica 2021,
(Foto: Reprodução/Twitter/@F1)

Lá se vão 72 edições de campeonatos de Fórmula 1 e, diante do que aconteceu (ou não) neste domingo (29), nas duas voltas do GP da Bélgica, não dá para falar que existe uma organização muito grande na repetida vezes “principal categoria do automobilismo”. A direção de prova simplesmente não sabia o que fazer com a forte chuva que impediu a realização de uma prova para valer em Spa-Francorchamps. 

Max Verstappen (Red Bull), George Russell (Williams) e Lewis Hamilton (Mercedes), primeiro, segundo e terceiro na classificação, conquistaram metade dos pontos estabelecidos para cada posição e formaram um pódio que seria pra lá de chocho se não fosse pelo ineditismo com Russell. Hamilton lidera o Mundial com 202,5, seguido pelo holandês com 199,5 pontos.

E olha que o atraso de 2h45, com sucessivos adiamentos, e aí se dá o maior motivo da bronca, foi causado por chuva. Nada mais que isso! Nenhuma intempérie maior ou estrago no circuito por exemplo. A questão não era ter corrida de qualquer jeito, mas ter informação a qualquer custo. Não ter corrida quando se há um risco extremo, é plenamente aceitável. O circo todo armado que foi o maior um tanto vergonhoso. 

Vibração de Russell foi o melhor de uma prova do GP da Bélgica que não existiu de fato (Foto: Reprodução/Twitter/@F1)

A largada, com muita chuva, estava prevista para as 10 horas (de Brasília). Depois de 25 minutos de atraso, foi dada uma volta de instalação e mais uma atrás do safety-car. A FIA (Federação Internacional de Automobilismo) não deixou claro para as equipes, para a transmissão ou para quem quer que fosse, se essa volta estava valendo na contagem oficial. Só tempos depois ficou entendido que o cronômetro havia sido paralisado para que se restasse pelo menos uma hora de corrida na (re-)largada, valendo metade dos pontos.

O diretor de provas, Michael Masi, inclusive, foi quem mais se mostrou perdido com o que deveria ser um acessível protocolo para a pista molhada. A comunicação no rádio escancarou que simplesmente não se sabia o que fazer. As mancadas do dirigente começaram ainda no sábado de classificação quando permitiu o início do Q3, que logo causou o assustador acidente de Lando Norris com a sua McLaren na desafiadora Eau Rouge. 

Se não há um procedimento correto a ser seguido para situações como a de chuva que cercou a floresta Ardennes, como realizar um total de 22 provas no ano? E se uma situação semelhante acontecer novamente em uma das nove corridas nos próximos 11 finais de semana? Isso sem falar em temíveis casos relacionados à covid-19. 

GP da Bélgica 2021,
Questão não era ter corrida a qualquer custo, mas ter informação e evitar o circo que foi a prova em Spa-Francorchamps (Foto: Reprodução/Twitter/@F1)

A relargada às 13h17 se deu em regime de safety-car. Depois de quatro voltas abertas, nova bandeira vermelha, mas, desta vez, o relógio não foi paralisado. Precisamente às 13h44, já estava mais do que ridículo esperar o cronômetro zerar. Enfim a prova foi encerrada. Adiar para a segunda-feira talvez só adiasse o problema.

Já no próximo fim de semana, a F1 desembarca em Zandvoort para o retorno do GP da Holanda, a 13ª das 22 confirmada para a temporada 2021. Com o clima parecido, a F1 estará de novo em risco? E no chuvoso novembro paulistano, com o GP São Paulo?

O protocolo precisa ser mais bem esclarecido ou novos e irritantes atrasos vão acontecer ainda este ano.

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