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Análise

Hamilton, 100 poles

Mais uma vez o heptacampeão fez história neste sábado (8), na Espanha

Por décadas, as únicas marcas centenárias da Fórmula 1 eram de provas disputadas e de pontos conquistados. De resto, chegar perto do numeral 100 parecia extremamente improvável. Parecia. Neste sábado, 8 de maio de 2021, Lewis Hamilton alcançou a 100ª pole position na categoria máxima do automobilismo mundial.

A história foi feita neste GP da Espanha.

A marca demonstra o tamanho de Hamilton para a F1. É claro que tem o elefante na sala: os detratores vão dizer que o inglês só consegue tudo isso por causa do carro, que hoje há muitos GPs por temporada do que antigamente e coisas assim.

Por 100 vezes na largada, os adversários só viram Hamilton assim: por trás (Crédito: reprodução / Twitter / Mercedes)
Por 100 vezes na largada, os adversários só viram Hamilton assim: por trás (Crédito: reprodução / Twitter / Mercedes)

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Não dá para negar que a Mercedes vem dominando a categoria desde 2014. Porém, minimizar a importância de Lewis para esse domínio é um erro. O hoje heptacampeão fez uma aposta ao trocar McLaren pela equipe anglo-alemã em 2013. Além dos engenheiros, teve muito empenho do inglês para moldar uma equipe campeã.

Só que, de lá pra cá, Hamilton não correu sozinho – e chegou a ser superado uma vez pelo companheiro de equipe na disputa pelo título. No caso, Nico Rosberg em 2016.

Sobre o excesso de provas por ano, é parte da dinâmica do esporte como um todo atualmente. Compete-se muito mais por conta de acordos comerciais cada vez mais gordos. Porém, Lewis não corre sozinho.

Aliás, falando nisso, é preciso valorizar a presença de Max Verstappen na pista. O jovem holandês é certamente um dos grandes da história, ainda que não tenha tantos resultados – mas tem tempo para isso. Verstappen deixa a disputa com o heptacampeão mais divertida e disputada.

Tem Valtteri Bottas, também, O finlandês pode ficar devendo em corrida, mas em classificação ele é muito rápido. As 100 poles de Hamilton chegam mesmo tendo Bottas como companheiro de equipe desde 2017.

Isso sem falar de anos anteriores. Fernando Alonso, Kimi Räikkönen, Sebastian Vettel, Jenson Button, Felipe Massa, entre outros, estiveram na caça ou foram caçados pelo inglês.

Verstappen errou na classificação, mas isso não desmerece o feito de Hamilton (Foto: reprodução / Twitter / Red Bull Racing)

Acontece que Lewis faz tudo parecer muito fácil, principalmente em classificação. Vai, ele gosta de reclamar no rádio e dizer o quanto foi difícil. Mas quando vemos a tocada do piloto, normalmente quase perfeita, parece que não há esforço. Mérito total dele, claro.

O que beneficia Lewis Hamilton, certamente, é o avanço da fisiologia. Não é só no automobilismo: a medicina, nutrição e tudo mais evoluíram muito nos últimos anos, permitindo que esportistas que, no passado, estariam em sua decadência física hoje estejam no ápice físico.

Isso se soma a uma modificação importante da F1 nos últimos anos. Hoje, o regulamento permite pilotos mais pesados – e o aumento de massa muscular favorece nessas horas.

Agora, Hamilton vai em busca da próxima grande marca: 100 vitórias. Já são 97 e, considerando a falta de ultrapassagens no Circuito da Catalunha, a 98ª deve acontecer amanhã, 9.

A verdade é que comparar épocas diferentes é algo quase impossível. Há o efeito da nostalgia, também. Porém, diminuir o presente para engrandecer o passado é besteira. Cada época tem seus méritos e deméritos.

Podemos arranjar defeitos, reclamações… Ou curtir a história sendo feita enquanto assistimos.

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