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Análise

Mônaco, o ponto de virada do roteiro da F1 2021

Se fosse o roteiro de um filme, o GP de Mônaco representaria aquela mudança dramática após os minutos iniciais – com Max Verstappen assumindo a liderança do campeonato

Max Verstappen venceu em Mônaco e levou a melhor nota no Ranking GP (Foto: Red Bull Content Pool)

Max Verstappen e a Red Bull são as novas líderes dos campeonatos de pilotos e construtores da Fórmula 1 em 2021 após o GP de Mônaco, realizado ontem (23). Uma mudança drástica para um campeonato que nunca havia tido o holandês na ponta, nem via os austríacos dando as cartas desde 2013.

Porém, e se eu te dizer que tal fato dá um certo ar cinematográfico, quiçá hollywoodiano, para a disputa esportiva? É até curioso notar isso, tendo em vista o recente sucesso da F1 na série documental ‘Drive to Survive’, da Netflix.

Calma, eu explico.

Verstappen comemora junto da equipe o primeiro ponto de virada da F1 em 2021, que aconteceu em Mônaco (Foto: reprodução/Twitter/@RedBullRacing)
Verstappen comemora junto da equipe o primeiro ponto de virada da F1 em 2021, que aconteceu em Mônaco (Foto: reprodução/Twitter/@RedBullRacing)

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Quem é mais atento já deve ter notado: filmes, séries, histórias em quadrinhos e outros produtos culturais do tipo possuem sempre estruturas parecidas, jeitos similares de se contar uma história.

Um desses “jeitões” típicos é a Estrutura de Três Atos, também conhecido como Paradigma de Syd Field em homenagem ao roteirista que cunhou essas regras muito bem escritas. Nesse paradigma, todas as histórias são divididas em três atos: apresentação, confrontação e resolução. A primeira e a última parte correspondem a 25% da duração da obra, com a do meio durando os 50% restantes.

Entre elas acontecem os pontos de virada, também conhecidos pela expressão em inglês twist plot. São esses momentos que determinam a jornada do protagonista, trazendo o tão necessário conflito. Há, ainda, outros pontos dentro desses três trechos – incluindo o ponto central (que muda a direção do segundo ato) e o mais famoso deles: o clímax.

Claro que, na vida real, as coisas não são exatamente assim, afinal adiciona-se uma camada de caos e imprevisibilidade à questão. Porém, algo curioso aconteceu nas ruas de Monte Carlo.

Quais são as próximas cenas que veremos após essa aqui, em Mônaco? (Foto: reprodução/Twitter/@RedBullRacing)
Quais são as próximas cenas que veremos após essa aqui, em Mônaco? (Foto: reprodução/Twitter/@RedBullRacing)

A Fórmula 1 tem, em 2021, um total de 23 etapas. Por isso, os primeiros 25% da temporada correspondem a 5,75 corridas – um número quebrado, ok, mas Verstappen assumiu a liderança do campeonato exatamente ao final do quinto GP, quase alinhado com o primeiro ponto de virada desse roteiro não-escrito.

A analogia faz mais sentido ainda quando pensamos que o primeiro trecho de um filme é aquele que, como o nome entrega, apresenta os elementos que vêm a seguir. Conhecemos, nesse comecinho de ano de F1, todos os pilotos, o equilíbrio de forças das equipes e o objetivo final – o título mundial. E Lewis Hamilton, o atual campeão, manteve a sua liderança no período.

A queda do heptacampeão e a ascensão de Verstappen é, então, um belo ponto de virada.

Seguindo no nosso filme fictício, agora vem a fase da confrontação. Quais são as armas da Mercedes e de Hamilton para retomar a liderança? Será que a queda de rendimento dos alemães foi isolada? Verstappen saberá lidar com o fato de, pela primeira vez, ser o primeiro no campeonato? Quem irá sentir mais os efeitos dessa mudança no equilíbrio de forças?

Será Hamilton o protagonista da história? Ou o velho campeão a ser derrotado? (Foto: reprodução/Twitter/@PET_Motorsports)

Talvez a pergunta mais dramática seja entender quem é o protagonista e quem é o antagonista dessa história que se desenrola pelos autódromos do mundo. Diria que, em um roteiro clássico, o papel de principal cabe a Hamilton: o primeiro ponto de virada lhe trouxe um problema, que foi perder a liderança, e conquistar o título pode ser o objetivo final do filme.

Uma história de superação do campeão que sofreu com um golpe forte, tal qual ‘Rocky III’.

Por outro lado, não é raro encontrar coadjuvantes que roubam a cena, antagonistas que se tornam o ator principal. Será Max Verstappen esse homem? Veremos um longa-metragem que revela a vitória do desafiante?

Bom, se a realidade continuar imitando a ficção, vamos ter o grande ponto central dessa drama no GP da Hungria, no comecinho de agosto. Já o ponto de virada rumo à resolução vem no GP do Japão, em meados de outubro, com o clímax acontecendo exatamente aqui, no GP de São Paulo.

Será?

Que não falte pipoca e o conforto do sofá para acompanhar esse filme – que já tem prometida uma versão série ano que vem, na Netflix. Promete.

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