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Análise

O tapetão não pode estragar uma das maiores decisões da história da F1

Falta pulso para Michael Masi, o diretor de provas da Fórmula 1. Pilotos e equipes sabem disso e estão levando a política ao limite

O toque de Hamilton em Verstappen - provocado pela falta de comunicação entre times e direção de prova (crédito: reprodução / Twitter / @F1)

Aqui no GRANDE PREMIUM, a gente sempre procura analisar as corridas da Fórmula 1 de uma forma mais aprofundada, às vezes lúdica. É um contraponto em relação à cobertura do irmão Grande Prêmio, que busca um relato mais exato e analítico das provas. Sempre foi assim. Até agora.

Há tantos assuntos para falar sobre o GP da Arábia Saudita que é quase impossível focar em apenas um tópico.

Tem papo de bar para dias, provavelmente anos.

Porém, há algo, sim, que chama mais a atenção: as confusões na pista são, em parte, reflexo da confusão do braço esportivo da FIA, dos comissários e, obviamente, de Michael Masi. O diretor de prova, substituto de Charlie Whiting, tem, para dizer o mínimo, uma mão fraca na gestão esportiva da categoria.

Que a disputa entre Verstappen e Hamilton em Abu Dhabi seja só assim: na pista (crédito: reprodução / Twitter / @F1)
Que a disputa entre Verstappen e Hamilton em Abu Dhabi seja só assim: na pista (crédito: reprodução / Twitter / @F1)

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Há demora em decisões – seja dentro das próprias corridas ou após -, critérios que não são idênticos, limites que não são claros, falta de comunicação com e entre os times e muito mais. Isso cria um ambiente ainda mais adverso, de instabilidade, para a disputa de um campeonato que já está no limite.

A isso se soma a decisão de correr em um circuito novo em Jedá que, claramente, não tem segurança o suficiente para receber a F1. Nesse caso, bom, “money talks”, como dizem os americanos – que são os donos da categoria, aliás.

Tudo isso ganha mais camadas quando olhamos a disputa pelo título. Max Verstappen e Lewis Hamilton chegam na última prova do campeonato, no GP de Abu Dhabi, empatados. Algo que não temos no derradeiro GP do ano desde 1974. É histórico.

Também é histórico o nível da disputa dos dois postulantes pelo título. A guerra entre os dois é aberta, com trocas de posição todo o tempo – e toques entre os dois. Nunca na história da categoria máxima do automobilismo um campeonato foi tão físico, digamos assim. (Sim, você vai se lembrar de 1989, 1990, 1994 e 1997, mas em quantidade de enroscos na temporada de 2021 já é superior).

A verdade é que Max e Lewis estão no seu limite. O holandês começou 2021 em seu melhor momento da carreira, unindo juventude, gana e velocidade nas medidas certas – ainda que, nas últimas etapas, esteja exagerando na agressividade, culminando no que vimos em Jedá. Isso fez com que o inglês também fosse além de sua zona de conforto. A fase do #44 desde o GP do Brasil é espetacular. A de ambos é.

São características que, sozinhas, já acirram a disputa. Os dois pilotos já não se dão. Mas a falta de pulso de Masi piora a situação. Vira essa guerra bem quente na pista e fria nos rádios, com trocas de argumentos e acusações.

Red Bull e Mercedes já vão sentar em mesas bem distantes na festinha de final de ano do Liberty Media.

O ano de 2021 já é histórico. Por isso, a FIA e Michael Masi precisam ser impecáveis no último GP. Que a corrida em Abu Dhabi seja lembrada para sempre pelo que houver na pista, e não por decisões de direção de prova.

Max Verstappen, Lewis Hamilton, Mercedes, Red Bull e todos nós merecemos isso.

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