A Nascar é a 'Middle America'. Inclusive no racismo

Enquanto os esportes americanos em geral se juntaram na última semana para dar voz aos protestos iniciados no ano passado por Colin Kaepernick, a Nascar resolveu ameaçar e coagir quem pudesse ter interesse de se manifestar. Do lado errado da história, a Nascar confirma que é parte do racismo institucionalizado que deu origem aos protestos

Pedro Henrique Marum, do Rio de Janeiro

A Nascar é racista.

E não, não é uma ofensa direcionada exclusivamente a um grupo de gente que comanda uns carros de corrida. A Nascar é racista porque é uma organização que representa a classe média e elite redneck. Os Estados Unidos de verdade, longe das mais cosmopolitas Nova York e Los Angeles, ainda carrega consigo origens muito escravagistas, se orgulha do conservadorismo e, claro, de extrema religiosidade. E não tem o menor costume de ver minorias exigindo respeito e igualdade. A Nascar é o retrato perfeito desse Estados Unidos de verdade. É, portanto, a mais precisa referência esportiva da ‘Middle America’.

Antes de prosseguir, vamos oferecer um pouco de contexto. A narrativa dos esportes como contraposição à política nos Estados Unidos é longe de ser nova, mas recuperou força desde o ano passado. Num movimento que ganhou o jogador de futebol americano Colin Kaepernick como referência, alguns atletas passaram a ajoelhar durante a execução do hino nacional como forma de protesto contra a injustiça social institucionalizada e violência policial no país com pessoas negras como vítimas. Um ano depois, Kaepernick foi marginalizado e está desempregado, mas a mensagem dele segue sendo ouvida e propagada, sobretudo em tempos de Donald Trump ocupando a Casa Branca. Na última semana, Trump realizou um inexplicável comício de campanha no estado do Alabama e disse que os jogadores que ajoelham durante o hino norte-americano são “filhos da puta” e deveriam ser demitidos instantaneamente.

E, sim, esse é o mesmo presidente que pediu parcimônia porque havia “muita gente boa” no meio das manifestações nazistas de Charlottesville, em agosto. Trump evita de todas as formas ser incisivo contra nazistas e supremacistas brancos, mas não se furta em ser bastante duro com pessoas negras tentando ter uma voz.

A afirmação racista de Trump foi feita num lugar precisamente escolhido, também. O Alabama, visto como capital da supressão aos direitos civis, foi onde Martin Luther King, 52 anos atrás, comandou a marcha entre Selma e Montgomery tendo em vista que todas as pessoas afroamericanas tivessem direito irrestrito ao voto. 

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