A vitória do imponderável

Problemas de confiabilidade, estratégia errada e bolhas nos pneus acabam apimentando a disputa na Áustria – para a sorte do vencedor, Max Verstappen, e do campeonato

Renan Martins Frade, de São Paulo



O GP da Áustria foi o total oposto do GP da França. Se lá em Paul Ricard a Mercedes deu as cartas e Lewis Hamilton venceu com facilidade, inclusive poupando o carro, em Spielberg o imponderável resolveu entrar na pista. Resultado: uma disputa com bons momentos, como a temporada 2018 – que certamente irá coroar um novo pentacampeão – merece.

Podemos falar que foi culpa do imponderável porque foram vários os acontecimentos que colaboraram com a boa prova. Começando pela primeira volta, quando Valtteri Bottas largou mal com a Mercedes, perdendo posições ainda nas primeiras curvas. Hamilton foi o favorecido, alcançando a primeira posição rapidamente. Kimi Räikkönen, da Ferrari, tentou o bote contra o inglês e acabou perdendo boa parte da vantagem que conseguiu na largada.

Voltas depois, mais uma vez veio um fato inesperado que teve influência direta no resultado: uma quebra na Flecha de Prata de Bottas, que vinha em segundo. O problema causou um safety-car virtual, trazendo uma janela perfeita para ir aos pits – e assim foi com a dupla da Red Bull, Daniel Ricciardo e Max Verstappen, e da Ferrari, Räikkönen e Sebastian Vettel. Porém, por um erro da Mercedes ou por falta de sorte, Lewis não parou.

Foi um VSC rápido e não deu tempo para Hamilton fazer o pitstop na volta seguinte – mais uma vez, o imponderável apareceu. Quando o inglês parou, voltas depois, ele perdeu várias posições.

A torcida laranja dominou o Red Bull Ring
Red Bull

Não acabou aí. A degradação dos pneus surgiu, com vários carros tendo problemas de bolhas nos calçados. O primeiro foi o de Ricciardo, que teve que trocar os pneus, mas isso também foi uma questão para Hamilton. Só mesmo a Ferrari passou, aparentemente, sem ter a mesma preocupação.

Aí entra o mérito de Verstappen: o holandês não venceu apenas pela sorte, mas também teve competência para administrar o carro e o desgaste dos pneus. De qualquer forma, é mais fácil fazer isso quando se está lá na frente.

Numa época no qual os carros das grandes equipes possuem tanta confiabilidade, Ricciardo e Hamilton também abandonaram por problemas no conjunto câmbio-unidade de potência. Foi a primeira vez desde o GP da Espanha de 2016 que ao menos um dos carros da Mercedes não pontua ao final da corrida. Prova de que as Flechas de prata, quando precisam disputar roda a roda durante toda a corrida, não têm a mesma fiabilidade.

Com tantas surpresas, destaque para a Haas. Romain Grosjean deixou para trás a série de problemas e acidentes para terminar em quarto a corrida, logo à frente do companheiro, Kevin Magnussen. Já a McLaren, que chegou, ainda nas primeiras voltas, a ter os dois últimos carros do pelotão, viu Fernando Alonso tirar leite de pedra e, após largar dos boxes, chegar em oitavo. Aliás, até a Sauber conseguiu pontuar com os dois carros!

Só mesmo a Williams, entre médias e pequenas, não aproveitou a chance.

Vettel foi terceiro, um resultado que o recolocou na liderança do campeonato
Ferrari



Após 71 voltas, um resultado que ninguém esperava antes da largada, justamente a vitória de Max Verstappen, a primeira da Red Bull em seu próprio circuito. Tem mais: Vettel, terminando em terceiro, recuperou a liderança do campeonato. Agora o alemão tem um ponto de vantagem para Hamilton – 146 a 145. Na disputa dos construtores, a Ferrari superou a Mercedes, algo também inimaginável antes.

Foi, realmente, uma vitória do imponderável. Para sorte do campeonato (e a nossa)!