Alexander Albon. Muito prazer

Em sua primeira corrida depois de ser promovido da Toro Rosso para a Red Bull, o piloto mostrou suas credenciais e deu provas de que pode fazer mais para a equipe que Pierre Gasly. Se tiver paciência poderá cantar o hino tailandês para toda a Fórmula 1

André Avelar, São Paulo

A trágica morte de Anthoine Hubert, claro, mudou a rotina do fim de semana do GP da Bélgica. Antes da fatídica prova da Fórmula 2, no entanto, a grande expectativa era saber como seria o desempenho de Alexander Albon na nova equipe. Sem muito alarde, no meio da pausa da Fórmula 1, a Red Bull mais uma vez realizou a já sua conhecida troca de pilotos. O tailandês foi promovido, enquanto o francês Pierre Gasly acabou rebaixado à Toro Rosso. E Albon se saiu muito bem, obrigado, com a quinta colocação.

Em Spa-Francorchamps, ainda que sem nenhum clima para a festa, grande parte dos amantes do automobilismo foi apresentada ao hino monegasco. A vitória de Charles Leclerc, amigo de Hubert, trouxe uma alegre melodia para um dia tão complicado naquele que é um dos templos da velocidade. Curiosamente, exageros à parte, não será de se estranhar se em umas tantas corridas esses mesmo amantes do automobilismo sejam apresentados ao hino tailandês.

Evidentemente que Albon não está nem garantido para o próximo ano na Red Bull e a lista de senões é enorme para um dia sonhar com o lugar mais alto do pódio. O impetuoso chefão Helmut Marko havia deixado claro que o piloto que nasceu na Inglaterra, mas corre sob a bandeira da Tailândia (seu pai, o ex-piloto Nigel Albon, é inglês e a mãe é tailandesa) teria nove chances para demonstrar mais serviço que Gasly. Efetivamente, o 5º lugar ainda fica atrás de uma única quarta posição do rival na disputa, no GP da Inglaterra. Mas a forma como Albon se portou chamou a atenção.

Alexander Albon largou na 17ª posição e chegou em quinto em sua primeira corrida com a Red Bull
Divulgação/Red Bull Content Pool

Na classificação, a Red Bull não só sofreu com o que Max Verstappen — para sempre o grande queridinho da equipe — classificou como problema de falta de potência, como também com uma estratégia de poupar equipamento, que fez com que Albon caísse logo no Q2 e depois largasse na 17ª posição. Depois de uma primeira parte ruim de prova, e com todas as atenções da equipe voltadas para ele já que Verstappen havia abandonado na primeira volta, Albon conseguiu desenvolver um bom papel depois da parada nos boxes.

“Tive uma primeira parte de prova muito ruim, mas o carro estava muito rápido na parte final. Tenho um misto de sensações agora. Ok, P5 é muito bom, mas sei que tenho muito mais a fazer. No geral, o meu primeiro resultado para o time, não foi tão ruim”, resumiu o #23, que não só entendeu a pressão na equipe do energético, como ainda teve dois grandes momentos na corrida, daqueles realmente importantes para o início de uma trajetória de sucesso. 

Nesse primeiro grande momento, que fez os mecânicos da Red Bull aplaudirem com entusiasmo, Albon ultrapassou Ricciardo pela oitava posição, a dez voltas do fim da corrida. E não foi qualquer ultrapassagem. O piloto da Renault deixou o lado de fora para o jovem de 23 anos, que se arriscou por ali mesmo e conseguiu ótimo manobra — ainda que tenha contado com um certo cavalheirismo do australiano, que não o espremeu para fora do traçado.

Albon precisa deixar claro para a equipe que pode ajudar Verstappen a evoluir carro para 2020
Divulgação/Red Bull Content Pool

Mas talvez o grande momento de Albon tenha sido mesmo na volta derradeira, na briga pelo o que seria a sexta colocação se a McLaren de Lando Norris, que vinha à frente, não tivesse apresentado problemas. Na disputa com Sérgio Perez, Albon precisou aparar a grama da reta Kemmel para conseguir a posição, em uma manobra arriscada, a mais de 300 km/h. Os dois pilotos foram chamados pelos fiscais para dar explicações e a investigação do incidente não deu em nada.

“Perez e eu estávamos jogando um jogo de DRS [para ficar atrás no ponto de detecção da asa móvel e assim ter vantagem na reta]. A Racing Point era muito rápida na reta durante todo o fim de semana e era preciso lutar com o DRS ali. No final, foi divertido”, descreveu o piloto.

Além de uma outra ultrapassagem marcante, Albon precisa nas agora oito corridas restantes mostrar que pode ajudar Verstappen a conseguir boas evoluções no carro e, quem sabe, já ajudar a equipe a bater a Ferrari na tabela de Construtores. Como ficou claro no fim da prova na Bélgica, a Red Bull tem um foguete nas mãos e perdeu tempo com Gasly, que aliás terminou em nono com a Toro Rosso, tentando guiar o carro a sua maneira. Nas palavras do próprio Marko, “Albon era a melhor opção” para o time. Resta então o terceiro lugar da F2 do ano passado segurar o ímpeto de piloto vencedor que é, ter paciência para trabalhar para a equipe, aproveitar as oportunidades que lhe aparecerem e só aí um dia cantar o hino tailandês para toda a F1.