Atitudes vencedoras mesmo na derrota

Lewis Hamilton ficou com pole-position para GP do Brasil, mas Sebastian Vettel mostrou que Ferrari ainda está viva na briga pelo título do Mundial de Construtores. Charles Leclerc também arriscou e conseguiu importantes posições para grid de largada

André Avelar, São Paulo

 

A Ferrari desembarcou para o GP do Brasil com o discurso de que ainda iria lutar pelo Mundial de Construtores já que o de Pilotos ficou com Lewis Hamilton, na briga contra Sebastian Vettel. Inicialmente, pareceu demais. Se levado em conta o classificatório deste sábado (10), no entanto, dá para notar uma atitude vencedora da escuderia italiana em Interlagos. Mesmo assim, Hamilton ficou na frente, com Vettel em segundo. Os dois escaparam de punições no grid de largada.

GRANDE PRÊMIO cobre ‘in loco’ o GP do Brasil de F1 com os repórteres Evelyn Guimarães, Felipe Noronha, Fernando Silva, Gabriel Curty, Juliana Tesser, Nathalia De Vivo e Pedro Henrique Marum, além do fotógrafo Rodrigo Berton. Você acompanha tudo minuto a minuto e ao vivo aqui. A largada acontece neste domingo, às 15h10 (de Brasília).

Atualmente, a Mercedes tem 585 pontos, 55 a mais que a Ferrari. Como ainda são 86 pontos em jogo, a escuderia italiana precisa fazer 13 a mais que o time alemão para manter viva a disputa por um título que não conquista desde 2008 e é mais do que um prêmio de consolação — a definição do campeonato acontece em 25 deste mês, com o GP de Abu Dhabi.

Parte da história da F1, a Ferrari não desaprendeu a correr. O que pareceu faltar, sobretudo nas últimas corridas desta temporada, foi aquela gana de vencer própria do automobilismo. Acreditar que uma ideia pode dar certo e ousar. Mais do que isso, se o plano não sair como o previsto, pelo menos ficar com a sensação de que foi feito o que era possível e um pouco mais.

A Ferrari arriscou na escolha de pneus no Q2, já de olho na estratégia de corrida com enormes possibilidades de chuva. Diferentemente de outros tantos carros do grid, o time calçou macios ao invés de supermacios, provavelmente, apostando que a água possa cair mais perto do fim da vida útil dos compostos. Pelo o que se pôde entender, a Mercedes, por exemplo, deveria parar mais cedo e ainda fazer uma segunda troca, daí sim, para pneus de pista molhada.

Apesar do duelo emocionante no Q3, Hamilton levou a melhor e conseguiu 1min07s281 para ficar com a pole-position e cravar seu nome na história da volta mais rápida da pista. Vettel foi 0s093 mais lento, mas saiu com a sensação de dever cumprido. Os dois pilotos escaparam de punições já que Hamilton atrapalhou Kimi Räikkönen e, principalmente, Sergey Sirotkin quando esses estavam em voltas rápidas; enquanto Vettel descumpriu o procedimento da pesagem em sua totalidade.

Lewis Hamilton levantou público com capacete com menções a Ayrton Senna em Interlagos
Reprodução/@F1

“A classificação foi incrível. O tempo estava mudando muito e, para falar a verdade, minha última volta não foi muito boa. Mas estou muito feliz aqui no Brasil. Adoro o carinho que recebo da torcida”, disse Hamilton, exibindo para o público o desenho do tricampeão Ayrton Senna em seu capacete.

Do outro lado, Vettel não quis se aprofundar o incidente com a balança no pit-lane e disse que “foi muito claro para todos o que aconteceu”.

“Foi divertido. Travei os pneus na curva oito então decidi ir para uma segunda volta. Estava perto [da Mercedes], mas foi um pouco demais”, disse Vettel. “É melhor eu não dizer nada. Não acho que eles deveriam ter nos chamado. Com as condições mudando assim eu acho que é injusto eles pedirem para alguém entrar. Apenas queria ir logo.”

Charles Leclerc 'desobedeceu' equipe no Q2 e conseguiu sétimo lugar para GP do Brasil
Reprodução/@F1

Mas não foi só o ‘presente’ da Ferrari que decidiu ousar. O ‘futuro’ também se mostrou inconformado com o que a má sorte lhe preparava e resolveu arriscar. Charles Leclerc também teve atitude vencedora na pista e, apesar da votação para Piloto do Dia aconteça só no domingo, merece ser considerado independentemente dos acertos e erros que ainda cometa na corrida.

Leclerc reportou no rádio da ainda caótica equipe Sauber o intenso volume de chuva. A equipe não teve dúvidas e o mandou entrar nos boxes… Nada feito. O futuro piloto da Ferrari decidiu continuar na pista e conseguiu no braço uma vaga no Q3, tendo inclusive escorregado no primeiro setor. Acabou com a sétima posição, uma atrás do surpreendente Marcus Ericsson, e é outro que pode brilhar na corrida.

*texto atualizado às 18h40 com as não-punições de Hamilton e Vettel