Campeão diferente ou caça aos recordes

A temporada atual mal acabou, mas os principais rivais já deram a receita para bater Hamilton. Se nenhum piloto quebrar a sequência do hexacampeão, a F1 deverá ver o inglês pelo menos igualar algumas das maiores marcas do esporte em outro ótimo ano da categoria

André Avelar, São Paulo

A temporada de 2019 não deixará exatamente saudade. Em muito por Lewis Hamilton ter liquidado a fatura corridas e corridas antes do monótono GP de Abu Dhabi, no último domingo (30), e conquistado com ampla facilidade o seu hexacampeonato de Fórmula 1. Isso não joga fora o ano por inteiro mas, talvez, o mais correto seja dizer que há certa ansiedade com o que pode acontecer na temporada que vem.

Antes mesmo da virada do ano e dos tradicionais testes em Barcelona, em fevereiro, a F1 volta ao mesmo circuito de Yas Marina a partir de terça-feira para duas semanas intensas de atividades, sobretudo, voltada aos novos pneus Pirelli. Em 2021, junto com uma série de novos regulamentos, os pneus serão de 18 polegadas.

Depois da corrida em Abu Dhabi, todo mundo pareceu saber a receita para se dar bem na temporada que vem. O campeão agradeceu ao time, mas os rivais falaram em ser “consistente” (Valtteri Bottas), “dar o que a Ferrari merece” (Charles Leclerc), “melhorar” (Sebastian Vettel), “corrigir probleminhas” (Max Verstappen)… Todos com a análise pronta e a promessa renovada para outro ótimo ano para a F1.

Lewis Hamilton pode nem se importar, mas já parece ter mais rivais para a temporada 2020
Divulgação/Mercedes

Hamilton, com o seu carro “lindo”, como ele próprio classificou a Mercedes, ainda é franco favorito. Com tudo dando naturalmente certo, ficou mais fácil para Toto Wolff e seu time pensaram além. Para o piloto, deve ser a temporada de igualar quem sabe dois importantes recordes antes inimagináveis de Michael Schumacher: maior número de vitórias (84 a 91) e títulos mundiais (seis a sete). Motivação para o inglês já não faltaria, carro tampouco.

Na mesma garagem porém, estará mais uma vez Bottas, o quarto ano seguido. O finlandês, que mostrou algum trabalho em determinado momento do ano — foi ao pódio nas seis primeiras corridas e ainda conquistou quatro vitórias no total — reconheceu o defeito e disse que precisa exatamente ser mais “consistente”. Para a temporada que passou, ele abdicou de parte das férias para fazer um trabalho específico, mostrar que também tem o melhor carro do grid e já superou por muito o fracasso de 2018. Um ‘novo novo Bottas’ deve aparecer, em versão ainda melhor.

A Ferrari tem tudo nas mãos para voltar a brigar pelo título. A certeza do melhor motor em algumas provas deu novo ânimo para o time que também já pensava no próximo carro. Os pilotos talvez formem a melhor dupla da categoria, mas daí começa o problema a ser resolvido pela chefia. Se ficar nas mãos de Mattia Binotto que ele deixe claro quem anda na frente. O que não pode é Vettel e Leclerc, ou Leclerc e Vettel, roubarem pontos um do outro. Na primeira parte do ano, o monegasco andou melhor apesar de ser preterido pelo alemão em determinados momentos. Seb ainda voltou a encontrar seu ritmo depois das férias e ficou mordido com o toque entre os dois no GP do Brasil.

Mas o que mais causa ansiedade aos amantes da boa competição é o desempenho da Red Bull. Não é de hoje que falta pelo menos mais uma equipe na briga. Em um verdadeiro romance com a Honda, de volta ao pódio e às vitórias em 2019, a equipe de Christian Horner já faz por onde voltar a brigar por coisas maiores. Verstappen se manteve alheio a troca de companheiros de equipe e andou na frente de Pierre Gasly e Alex Albon, esse último confirmado para 2020. O holandês inclusive fez a sua melhor temporada da carreira com três vitórias e nove pódios. Como uma espécie de prêmio, terá a massa laranja, que enche os autódromos na Europa, por perto no circuito de Zandvoort — novidade no calendário, assim como o de Hanói, no Vietnã.

Claro que há muito de otimismo no pequeno exercício de futurologia para um outro ótimo ano da F1. Ainda assim, se tudo se repetir, o fã da velocidade verá a história ser escrita com Hamilton em plena temporada de caça aos maiores recordes do automobilismo. O GP da Austrália, no entanto, acontece só em 15 de março. O que resta é esperar.

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