Hamilton x Vettel: de onde vem essa diferença?

Concorrentes na luta pelo pentacampeonato desafiam disputa acirrada e se veem separados por 24 pontos em plenas férias de verão da F1. Ferrari não sabe aproveitar melhor carro e Mercedes vai bem mesmo quando tudo está mal

André Avelar, São Paulo

De uma disputa que parecia ser ponto a ponto a uma vantagem pra lá de considerável em plenas férias de verão da F1. Se Lewis Hamilton tem aproveitado todas e quaisquer chances ou se Sebastian Vettel tem desperdiçado inúmeras oportunidades, os dois concorrentes ao pentacampeonato seguiram caminhos opostos com Mercedes e Ferrari até a parada no calendário.

A nove corridas do fim da temporada, Hamilton tem 213 pontos, 24 a mais que Vettel. Essa é a maior diferença entre os dois postulantes ao título, que já se alternaram cinco vezes na liderança ao longo deste ano. Os dilemas de altos e baixos de um de outro se arrastarão até o próximo compromisso, no GP da Bélgica, no Circuito de Spa-Francorchamps, em 26 deste mês.

Em muito fruto dos sucessivos títulos nos últimos anos, o conjunto prateado se mostrou mais regular como um todo. A Mercedes tem um carro só com ritmo de corrida superior ao da Ferrari. O motor e as capacidades de adaptação em diferentes pistas, com diferentes temperaturas, ainda são melhores no lado italiano. Daí a intenção de melhorar justamente o classificatório de sábado para ter um cenário ainda mais tranquilo no domingo.

Do outro lado, na garagem vermelha, a ideia é justamente o contrário. A Ferrari pensa em continuar com a hegemonia dos treinos livres e classificatórios e tomar para ela o provocativo “modo festa” no motor ao qual Hamilton se referiu contra Vettel ainda na abertura da temporada. Mesmo assim, o inglês (Austrália, Espanha, França, Inglaterra e Hungria) e o alemão (Bahrein, China, Azerbaijão, Canadá e Alemanha) somam cinco pole-positions cada um.

Uma prova do quanto o desempenho da Mercedes é melhor em corrida pode ser tirada do marcante GP da Inglaterra. Hamilton se envolveu em um toque logo na primeira volta e caiu para a última posição. Como se nada estivesse acontecendo, foi ultrapassando um a um até chegar justamente em Vettel, que até venceu aquela corrida, mas não capitalizou os pontos que precisava. Por diferentes culpados, daí a diferença na tabela de classificação até aqui.

Para ficar ainda em uma corrida do anfitrião, o GP da Alemanha também foi marcante neste sentido. Vettel comandava as ações durante todo o fim de semana, mas junto com a Ferrari se perdeu com o chove e não molha na pista e parou na barreira de pneus, entregando a vitória de mãos beijadas logo para quem? Hamilton.

Mas nem só de classificação e corrida se soma pontos na F1. O imponderável também costuma a dar as cartas e aparece no momento exato de aproveitar o safety-car para entrar nos boxes, fazer o pit-stop na hora certa e até mesmo escolher qual tipo de pneu usar para determinada situação de pista. Nesse quesito, por maior que tivesse sido a confusão da Mercedes com Hamilton na Alemanha, os alemães se mostram mais frios e estrategistas neste sentido. A impressão é que tudo vai bem mesmo quando se está mal.

 

Derrota em 2017

Vettel, e a Ferrari, já sabem que um campeonato com Hamilton, e a Mercedes, é decidido nos mínimos pontos. A derrota da escuderia italiana no ano passado começou tarde, mas igualmente com pontos desperdiçados em três corridas decisivas por falhas em diferentes motivos. O primeiro deles foi em Singapura, já na parte final do calendário.

Naquela oportunidade, o alemão, que até então seguia uma cartilha campeã, largou na pole, mas não admitiu a aproximação de Kimi Räikkönen e Max Verstappen logo na largada e foi atrás da confusão. Resultado? Não só os três envolvidos ficaram fora da prova, como Hamilton abriu de três para 28 pontos de vantagem a seis corridas do fim.

Como se não bastasse, na prova seguinte, no GP da Malásia, Vettel sofreu com problemas de potência do carro e largou da última colocação. Chegou em quarto, mas o rival havia sido segundo. No GP do Japão, a Mercedes sobrou do início ao fim e colocou o inglês no lugar mais alto do pódio com extrema facilidade, enquanto Vettel sofreu com problemas de motor. Pronto. O campeonato em favor de Hamilton estava desenhado para o GP do México.