Meia volta ao mundo em 3 dias: como a F1 parte de Montreal para Baku

A F1 gira em torno do tempo e da velocidade. Seja nas pistas, seja para chegar até elas. Algumas vezes a logística é mais complicada, como se percebe nesta semana: a categoria precisa se virar para levar equipamentos do Canadá para o Azerbaijão. E resolve o desafio com maestria

Vitor Fazio, de Porto Alegre

Aproximadamente 8,9 mil quilômetros separam as cidades de Montreal e Baku. Uma no Canadá, outra no Azerbaijão. Uma recebe a sétima etapa da temporada da F1, outra recebe a oitava – e com apenas uma semana separando as duas. É evidente que, com um espaço de tempo tão ingrato, as equipes precisam fazer malabarismo para atravessar o Atlântico, o Mediterrâneo e chegar às margens do Cáspio.

Mas é evidente também que as equipes sabem o que fazem. Há anos que o alto número de provas no calendário afeta a logística das equipes. De tanto aperto, as equipes aprenderam na marra a ser perfeitas ao atravessar continentes.

Tão perfeitas que a viagem de proporções continentais começou a ser organizada muito antes do que o público pode imaginar.

A F1 luta contra o tempo para chegar em Baku
Foto: Getty Images

Na verdade, a preparação para a corrida azeri começou já no ano passado. Em dezembro de 2015 a Force India já havia mandado parte de sua equipe para avaliar as proximidades do circuito de Baku. A ideia era, tomando um hotel como ponto de partida, definir quais seriam as melhores rotas de deslocamento até o traçado, localizado na parte antiga da cidade.

Simulando o deslocamento em dias de semana, dá para ter uma ideia melhor de problemas com trânsito, por exemplo. Conseguindo estimar o tempo de deslocamento, as equipes têm um planejamento mais preciso para todos os dias de atividade.

Mas essa é só uma esfera da operação.

Já em 2016, os primeiros membros das equipes de F1 começaram a se deslocar no começo de junho, duas semanas antes do GP da Europa. A maior parte dos funcionários estava se mandando para Montreal, mas uma parcela recebia a missão de ajudar no envio do equipamento até Baku. A capital azeri também está bem longe do Reino Unido, casa de quase todas escuderias, e fazer a transição completa em poucos dias é inviável. Quando todos estiverem no Azerbaijão, boa parte do trabalho pré-GP já vai ter sido realizado.

Mas isso não significa que muito tempo seja perdido para empacotar tudo após um GP – o processo é rápido, na verdade: consome apenas 7h. O que consome tempo mesmo é o deslocamento entre os países, que dura pelo menos 14h.

A boa notícia é que o deslocamento não é problema só das equipes. A empresa DHL, responsável por grande parte da logística da F1, assume a bronca de transportar os carros, por exemplo.

Apesar do aperto, as equipes já sabem de cor e salteado como se virar com os curtos prazos. Parte dos funcionários já havia aterrissado em Baku nesta quarta-feira (15), começando a avaliar as condições da pista.

Que bom que a F1 já esteja preparada para esse aperto, pois ele é recorrente: nas próximas oito semanas serão seis GPs. Claro, a ponte aérea Canadá-Azerbaijão é uma exceção exagerada. Todas as outras corridas separadas por apenas uma semana exigem deslocamentos muito menores. Da Inglaterra para a Alemanha, por exemplo. Mesmo que raras, essas viagens absurdas servem para mostrar que, se preciso for, o circo da F1 é capaz de dar uma volta ao mundo em muito menos do que 80 dias.