Mercedes também colocou Red Bull no bolso

Time alemão partiu para uma estratégia surpreendente para colocar Hamilton à frente de Verstappen no GP da Hungria. Equipe rival ainda contou com pilotagem brilhante do holandês, mas inglês mostrou todos os elementos que fazem um futuro hexacampeão de F1

André Avelar, São Paulo

Nas últimas cinco temporadas, a Mercedes fez o que bem entendeu na Fórmula 1. Com melhor carro mas, sobretudo, com mais organização, o time alemão no fim das contas engoliu a Ferrari por mais que tenha passado um ou outro momento de aperto. O domingo (4) de GP da Hungria mostrou que com tamanha superioridade pode colocar no bolso também a Red Bull. Lewis Hamilton contou com uma estratégia surpreendente para superar Max Verstappen nas voltas finais. Sebastian Vettel foi o terceiro.

A dificuldade imposta, desta vez, foi tanta que fez Toto Wolff e companhia gastarem a calculadora para tentar colocar Hamilton na frente. Na 49ª de 70 voltas, a equipe surpreendeu e chamou o inglês para uma nova troca de pneus. A intenção era ter o seu piloto com mais borracha para brigar pela vitória contra o holandês nas voltas finais apesar dos 20 segundos de desvantagem. Dentro da sua sensação de impotência no carro, Verstappen sentiu que a derrota poderia chegar. Restava acelerar para se defender já que, com o passar das voltas, repetir a estratégia dos concorrentes era entregar a vitória ainda mais facilmente.

Verstappen a partir daí comprovou mais uma vez o seu enorme talento ainda que tenha terminado em segundo. Embalado pela conquista da primeira pole-position em 92 corridas na carreira, o #33 tratou de apertar o pedal da direita. Tanto que, pelo rádio, o #44 se espantou com o tempo de volta do adversário: “[1min]19s5”, exclamou Hamilton, sem esconder sua surpresa. Coube ao engenheiro justificar uma suposta pista limpa, sem carros à frente, para tranquilizar o piloto. Os modernos cálculos davam conta de que a emoção estaria para a reta final.

Hamilton partiu para estratégia ousada e ultrapassou Verstappen nas voltas finais do GP da Hungria
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Foi o que aconteceu. Hamilton, depois de tanto remar, encostou em Verstappen nas últimas cinco voltas. Uma perseguição um tanto menos agressiva da anterior à primeira tentativa de ultrapassagem fez o inglês conseguir a manobra decisiva, na curva 1, na volta 67, para vencer pela 81ª vez na carreira — agora são dez vitórias para igualar o recorde histórico de Michael Schumacher. Em resumo, a estratégia deu, muito, certo. Ainda que com maior grau de dificuldade, a Mercedes engoliu a Ferrari e agora a Red Bull na campanha pelo hexacampeonato da Hamilton.

“Estou muito bem. Quero agradecer ao time que acreditou em mim e aceitou correr um risco por uma estratégia diferente. Essa sensação é sempre incrível. Você nunca se acostuma”, disse Hamilton, ainda um tanto cansado, após a corrida.

“Tentei tudo que podia com os pneus mais duros mas, infelizmente, não foi o suficiente para nós. Ainda assim são pontos importantes para o campeonato. Quero parabenizar o Lewis por que ele mereceu muito e me pressionou demais nas últimas voltas”, afirmou Verstappen, que aparentemente aceitou a derrota.

Lewis Hamilton mostrou credenciais de futuro hexacampeão e alcançou 81ª vitória na carreira
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A vitória de Hamilton, a sétima no ano, é também uma forma de restabelecer a ordem no Mundial de Pilotos. Para quem já andava assanhando com uma possível aproximação de Verstappen em uma improvável (para não dizer “impossível”) briga pelo título, o inglês alcançou os 250 pontos, contra 181 do holandês, o terceiro colocado. Entre eles, Valtteri Bottas, com 188 pontos, é o vice-líder.

Ainda assim, à parte Verstappen-Hamilton, o GP da Hungria não foi dos mais emocionantes, como haviam sido as últimas três corridas da temporada. Por outro lado, deixará saudade já que a F1 agora parte para as férias do verão europeu. O próximo compromisso é só em 1º de setembro, com o GP da Bélgica.

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