Um GP 1000 sem emoção até na F1B

Se lá na frente a Mercedes garantiu a terceira dobradinha de 2019 com certa facilidade, o GP da China também foi fraco onde as disputas costumam ser melhores

Renan Martins Frade, de São Paulo

Neste domingo (14), a Fórmula 1 organizou a milésima corrida oficial de sua história, o GP da China. Momento de comemoração pela marca importante, motivando uma abertura especial da transmissão na TV e celebrações. Porém, na pista, o que se viu foi uma corrida amplamente dominada pela Mercedes, com Lewis Hamilton pulando à frente do pole, o companheiro Valtteri Bottas, logo na largada e garantindo mais uma marca importante no currículo. 

Hamilton, agora, pode dizer que venceu os GPs 900 e 1.000 da categoria. 

Se foi uma frustração a falta de disputa do inglês com a Ferrari, ou até mesmo a falta de combatividade de Bottas após um bom começo de campeonato  (com apenas Max Verstappen, da Red Bull, sendo agressivo entre os primeiros), a corrida em Xangai foi ruim até onde a F1 vai bem: no meio do pelotão

Fora da divulgação oficial da luta pela vitória do GP 1000, Ricciardo se contentou em ser o 1º da F1B
Renault

Já virou tradição separar a categoria em F1A, com Mercedes, Ferrari e Red Bull; e F1B, com todo o resto. É como se fosse um campeonato “extra-oficial”, com equipes lutam para ser a quarta força, enquanto pilotos buscam o sétimo lugar. É um prêmio de consolação para quem está na disputa do meio do grid para o fim.

Na prova chinesa quem conquistou tal feito foi Daniel Ricciardo, egresso da F1A e agora em seu primeiro ano na Renault. O australiano nem precisou se esforçar: largou em sétimo e, sem fazer uma única ultrapassagem durante a corrida ou ser ameaçado, terminou em sétimo. Foi, também, a primeira vez que o #3 terminou nos pontos em 2019. “Na verdade, foi uma corrida solitária. Não tive muitas disputas por posição, mas os carros de trás estavam me fazendo acelerar até o fim”, disse o piloto após a corrida. 

Quem facilitou a vida de Ricciardo foi o companheiro, Nico Hülkenberg. Ultrapassado pela Racing Point de Sergio Pérez logo no começo da prova, parou antes da hora, ficou no meio do tráfego e, depois, abandonou com problemas no carro. Já Perez ficou em segundo nessa corrida B “imaginária”. Tirando as quatro posições que ganhou na primeira volta, o mexicano não fez mais nenhuma ultrapassagem em todo o GP.

Fechando o pódio que não existe veio Kimi Räikkonen - esse, sim, com mais esforço. O piloto da Alfa Romeo largou em 13º. Na sexta volta ele já era décimo, e, com um total de cinco ultrapassagens na pista (sendo três com o uso do DRS) ele acabou em nono - chegando a pressionar Pérez. “No fim, perdemos aderência nos pneus dianteiros. É uma pena porque estava cuidando deles durante a corrida, mas eles ficaram frios demais e tive de tirar o pé”, comentou o dono do carro #7. 

Alex Albon foi um dos grandes nomes do GP 1000
Toro Rosso

A grande performance da corrida da F1B (e de todo o GP 1000, ao lado de Verstappen) veio de Alexander Albon. O piloto da Toro Rosso largou em último, depois do forte acidente no TL3 tê-lo tirado da classificação, e fez uma bela corrida de recuperação. O tailandês contou com uma boa estratégia de corrida com apenas uma parada e, na pista, fez oito ultrapassagens - sendo apenas duas com DRS. Pensando que o GP teve um total de 61 ultrapassagens, foi um belo número.

“As coisas pareciam um pouco sombrias depois do TL3, mas o pessoal trabalhou pesado noite passada para trocar o chassi. Eles mereceram uma boa corrida e fiquei feliz por trazer um ponto como recompensa pelo esforço”, afirmou Albon. “Estive um pouco nervoso no fim, com o Grosjean quase me alcançando, mas ficou muito feliz por conseguir [o ponto].”

Falando em Romain Grosjean, o francês da Haas também merece destaque. Ele largou em décimo e teve um péssimo começo de corrida, muito pela falta de ritmo do carro em corrida, é verdade, mas fez quatro ultrapassagens (nenhuma com DRS) e, com uma parada a mais que Albon, tentou ser agressivo no final - o que não deu certo. Ficou em 11º. 

A partir daí a F1B foi um muro das lamentações. Lance Stroll, que largou em 16º e vem sistematicamente tomando tempo do companheiro, Pérez, fez inacreditáveis oito ultrapassagens na corrida. Só que foi uma disputa tão infrutífera em termos de campeonato ou de relevância para a prova que o canadense conseguiu passar pelo live timing do GP sem uma única menção. 

Tudo isso se reflete na grande disputa de meio de pelotão: o toque ainda na primeira volta entre as McLarens de Carlos Sainz e Lando Norris, com o último sendo abalroado em seguida pela Toro Rosso Daniil Kvyat, o que levou o carro laranja a decolar. Norris e Kvyat, eventualmente, abandonaram. 

Para uma corrida tão importante, numa marca tão relevante, foi pouco, muito pouco. Mesmo o GP da China no ano passado teve mais ultrapassagens (79 a 61), incluindo duas pela liderança - com a vitória em 2019 ficando justamente com Daniel Ricciardo, então na Red Bull.

Ao menos o troféu do GP 1000 ficará na coleção daquele que já é um dos grandes da história da categoria...