Virou passeio

Na quinta dobradinha da Mercedes em cinco corridas, Hamilton retoma a liderança do campeonato - e a Ferrari se mostra completamente perdida

Renan Martins Frade, de São Paulo

Se no sábado, após o domínio da Mercedes na classificação para o GP da Espanha, podíamos repetir a frase “e lá vêm eles de novo”, no domingo basta apenas trocar o trecho da famosa narração do Galvão Bueno para o fatídico 7 a 1 entre Brasil e Alemanha na Copa do Mundo de 2014. “Virou passeio” foi dito pelo narrador logo após o quarto gol dos tedescos no Mineirão. Na Fórmula 1, já são cinco dobradinhas em cinco corridas para a Mercedes. 

Virou, realmente, passeio alemão. 

A etapa espanhola, realizado neste domingo (12) em Montmeló, pertinho de Barcelona, pode ser analisada de duas formas. A primeira, claro, é pelo esplêndido desempenho das Flechas de Prata. Você pode relembrar momentos nos quais uma equipe dominante foi ainda mais rápida que os adversários, mas nos resultados, com um domínio tão grande no início de uma temporada, a marca de 2019 é histórica e inédita. 

O momento-chave da corrida: quando Hamilton assumiu a liderança
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Mérito do time, que não se abateu com o domínio da Ferrari na pré-temporada e mostrou que, na prática, tem o melhor carro da F1 atual. Mérito dos pilotos, com Valtteri Bottas correndo no mesmo nível de Lewis Hamilton até aqui. Por fim, a equipe está escolhendo as melhores estratégias, não comete erros nos pit stops e deixa tudo perfeito para que o #44 e #77 decidam na pista

Na Catalunha, o que fez a diferença foi o maior ímpeto de Hamilton na largada. O inglês, que partiu em segundo, foi agressivo nos primeiros metros, se aproveitando da enorme distância entre a partida e a primeira curva - e do fato de Sebastian Vettel também ter tentado o bote e, no processo, atrapalhado Bottas, que tinha largado na pole. O finlandês, diga-se, culpou a embreagem pelo início ruim. 

Lewis venceu a corrida ali, naquele trecho - a pista catalã é famosa por ter quase sempre o pole ocupando também o lugar mais alto no pódio, vantagem que o pentacampeão neutralizou. Nem mesmo o safety-car nas últimas voltas foi o suficiente para mudar isso. 

Para o bem do campeonato, é bom que Bottas não se deixe abater - afinal, são apenas os dois pilotos da Mercedes que, claramente, estão na disputa pelo título.

Ferrari: perdida e brigando entre si
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Do outro lado, temos a Ferrari. Na lona, diria. Se na pré-temporada este parecia ser o ano dos italianos, é justamente o GP da Espanha - na pista usada para os testes - que praticamente tira o time da disputa. São apenas 121 pontos para a Scuderia no Mundial de Construtores, contra 217 da Mercedes. Quase a metade. No Mundial de Pilotos, Vettel perdeu o terceiro lugar e foi superado por Max Verstappen, da Red Bull.

Aliás, Vettel ou Charles Leclerc nem para o pódio de Montmeló foram.

Não é nem mais questão do SF90 ser muito inferior ao F1 W10 EQ Power+. Neste domingo, a Ferrari pecou pelas escolhas erradas. Ao não ter mais um carro para a disputa pela vitória, os italianos não conseguem nem correr para conquistar o maior número possível de pontos. O time demorou muito nas decisões de quem deveria estar à frente, errou na escolha de pneus de Leclerc e não soube aproveitar o safety-car nas voltas finais - coisa que a Red Bull conseguiu. 

Arriscaria dizer que a reunião pós-corrida não deve mais ter como tema a superação da Mercedes, mas sim como se reencontrar para não ver o vice-campeonato de construtores e o terceiro lugar de pilotos perdidos. A sorte italiana é que Pierre Gasly vem tendo um ano muito fraco - por causa disso, a Red Bull marcou apenas 87 pontos na tabela. 

Afinal, o prejuízo já é grande. Agora é questão de não aumentá-lo ainda mais..