'Globo trapalhona'

Emissora irritou amantes da F1 com exibição do humorístico ‘Os Trapalhões’ menos de uma hora para largada do GP do Brasil. Transmissão apressada na TV aberta vai contra modelo de entretenimento proposto pelo grupo Liberty Media

André Avelar, São Paulo

Bem amigos da Rede Globo, vai começar Os Trapalhões. Sim. Os Trapalhões. E o remake. Não é nem o original. Isso em pleno domingo de GP do Brasil de F1. Com o título de Lewis Hamilton já decidido, Felipe Massa longe da vitória, sem nem ao menos um Rubens Barrichello no meio do grid, a emissora atendeu à risca os compromissos comerciais e exibiu o humorístico cerca de uma hora antes da boa corrida em Interlagos.

A emissora tem o direito de exibir o que bem entender em um dia de Esporte Espetacular direto do autódromo, ainda que esse mesclasse matérias do Campeonato Brasileiro. O novo programa de Renato Aragão, o Didi mesmo, é até honesto com a própria história do ator, mas sem querer maltratou a F1 em pouco mais de 45 minutos. As sketchs até brincavam com a iminente corrida, como se o novo Mussum tivesse ganhado um ingresso do próprio Massa. Mas, pouco tempo depois, descambou para a regravação de uma das mais célebres números do original: a melo Papai, eu quero me casar.

Em diferentes lugares pelo mundo, a pré-hora de uma corrida é por vezes mais importante que a própria corrida. É ali que comentaristas contam histórias diretas do túnel do tempo e repórteres entrevistam pilotos e chefes concentrados para a largada. É ali que a tensão é transmitida ao telespectador que fica naturalmente envolvido com o que vai acontecer em instantes. Do contrário, sem saber 'quem é o mocinho e quem é o bandido’, o público de ocasião vê vários carros coloridos passando na frente da tele. Claro que toda essa operação tem um preço. Não seria simplesmente apertar um botão e aguardar pelo sinal.

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