O Ayrton de Jacarepaguá

À frente do seu tempo, Lolô Cornelsen ajudou a escrever dois dos mais importantes capítulos da história do automobilismo nacional. Foi dele o projeto da pista do Autódromo de Curitiba e também por sua prancheta foi onde nasceu o circuito de Jacarepaguá

Evelyn Guimarães, de Curitiba

Os Jogos Olímpicos do Rio 2016 caminham para seu fim e já começam a deixar saudade. Ver as arenas cariocas sem competição alguma dentro daquele parque novinho em folha vão deixar um vazio no público que ama o esporte. Mas este vazio já foi devidamente vivido por quem soube o que aquele espaço representava anos atrás. Para que as Olimpíadas respirassem, o autódromo de Jacarepaguá morreu. E o automobilismo, que nem está incluído no rol das competições, sentiu o revés do que costuma classificar como legado.

Volta no tempo, 51 anos atrás: para que Jacarepaguá respirasse, foram necessárias uma cabeça e uma prancheta de alguém à frente do seu tempo. Curioso ver agora que, no espaço que recebeu o nome de Nelson Piquet e, na pista oval, o de Emerson Fittipaldi, um Ayrton desenhasse o projeto. Ayrton Cornelsen também deu ao Brasil o Autódromo de Curitiba. E ainda não descansou. 

É na capital paranaense que o próprio Lolô – seu apelido –abre ao GRANDE PREMIUM a porta em uma noite fria. A casa, bem próxima ao centro da cidade, em uma esquina movimentada, está cheia. Os filhos, os netos e uma equipe de filmagem para um documentário sobre sua vida o cercam na grande mesa da sala de jantar, igualmente repleta dos trabalhos feitos pelo celebrado arquiteto ao longo de uma carreira que começou na primeira metade do século passado.

O muito bem-humorado Ayrton completou 94 anos há mais de um mês. Não se deixe enganar pela idade: o engenheiro e arquiteto está lúcido, ativo e falante. É bem verdade que já não ouve tão bem — “ficar velho é uma merda”, diz em meio ao riso divertido —, mas segue trabalhando muito em seu escritório. “Estou projetando campos de golfe”, explica o homem que foi responsável por escrever capítulos importantes da história do automobilismo no Brasil e no mundo.

Foi das mãos de um entusiasmado jovem engenheiro que surgiram as linhas que, anos mais tarde, serviram de cenário para corridas históricas da F1, da Indy e da MotoGP. A visão deste modernista curitibano permitiu ao país ampliar os investimentos e a própria trajetória no esporte, e no antigo traçado carioca o país viu ídolos serem consagrados. Por alguém que, detalhe, nem dirige.

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