Um caminhão de problemas

De rica, F-Truck acumula dívidas milionárias com uma série de credores, vê caminhões penhorados, entra em rota de colisão com a CBA e se coloca futuro em risco

Evelyn Guimarães, de Curitiba,
André Avelar, de São Paulo &
Victor Martins, de São Paulo

 

Poucas modalidades no Brasil conseguiram a popularidade que a F-Truck atraiu em seus recém-completados 20 anos de existência. A categoria dos caminhões foi responsável por lotar autódromos em meio à crescente perda de interesse do público tupiniquim pelo automobilismo no fim da década de 1990 e por toda a primeira parte dos anos 2000. Também é dela o crédito de reinventar os eventos do esporte a motor e usar como ninguém o marketing para seduzir grandes patrocinadores. A Truck desbancou campeonatos tradicionais, como a Stock Car, e se colocou como um modelo de gestão, promoção e saúde financeira em um país que apoia pouco o esporte. 

Os hospitality-centers — os populares camarotes das empresas apoiadoras — se enchiam com facilidade e movimentavam milhões de reais em negócios por onde quer que a categoria passasse. Em etapas importantes, como em São Paulo, até 10 mil pessoas chegavam a frequentar as áreas VIPs. As montadoras de caminhões enxergavam ali um produto precioso no relacionamento com seus clientes e uma ferramenta poderosa para ampliar as vendas e parcerias. 

Quer dizer, como evento dirigido e bem trabalhado, a Truck cresceu vertiginosamente, assim como o envolvimento técnico das fabricantes no campeonato, o que garantia a competitividade entre as marcas. Tanto é assim que a categoria se profissionalizou rapidamente e conseguiu colocar em seu grid pilotos de renome internacional, como Felipe Giaffone, Bruno Junqueira e Cristiano da Matta. Trouxe gente de outras séries, inclusive estrangeiros. E tudo isso com o apoio das mais fortes empresas do país. Nos caminhões, nos circuitos e nos camarotes, havia espaço para as marcas mais óbvias, do setor automotivo e de peças, mas também para companhias de consumo geral, como as cervejarias. Até clubes de futebol tomaram parte no evento, tamanha capacidade de novos negócios que a categoria gerava.

 

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