A crise na base

Recriada em 2014, a F3 Brasil vem enfrentando sua pior crise desde então. Na etapa de Londrina, foram apenas sete os pilotos no grid. Trata-se de um cenário que reflete lá na frente, na carência de novos nomes brasileiros

Fernando Silva, de Interlagos e Londrina

Helio Castroneves, Christian Fittipaldi, Bruno Junqueira, Ricardo Zonta, Cristiano da Matta, Nelsinho Piquet, Lucas Di Grassi, Tarso Marques, Vitor Meira, Max Wilson. Em comum, todos os nomes listados já correram na F1 ou na Indy — alguns deles, nas duas principais categorias de monopostos do automobilismo mundial. E todos eles deram suas primeiras aceleradas em carros na F3 Sul-Americana, numa época de grids cheios e quando os talentos brotavam em profusão. Não à toa, o nível de competição era muito alto, de modo que a categoria era capaz de forjar muitos pilotos para o exterior, sendo que muitos deles vingaram e ainda estão aí na ativa.

Bons tempos aqueles, não? O começo da década de 1990 era o auge do Brasil no automobilismo. Ayrton Senna tinha conquistado o tricampeonato mundial e era mais venerado por essas bandas do que Pelé ou qualquer outro nome esportivo. O futebol, na contramão da F1, vivia uma seca de títulos que só foi quebrada com o tetra em 1994. O automobilismo era o esporte da moda.

Hoje, contudo, a realidade se mostra bem diferente e dura para quem tenta seu lugar ao sol na F3 Brasil, que voltou a ser um certame nacional justamente para resolver um dos problemas que afetava a competição continental: os altos custos. Desde o fim de 2012, a Vicar, empresa que promove e organiza a Stock Car, passou a assumir a organização da F3 por aqui com a intenção de desenvolver o esporte e torná-lo mais viável. Porém, a crise econômica afetou com força a categoria. Em 2016, a F3 Brasil começou a temporada no Velopark, com 16 carros inscritos. No último fim de semana, em Londrina, este número caiu para apenas sete pilotos.

Sem dúvidas, é algo que não combina com a grandeza da F3 e também com a história do automobilismo brasileiro. E que, no fim das contas, reflete o motivo de a perspectiva do Brasil para o futuro na F1 e também na Indy ser bastante sombria. Felipe Massa anunciou recentemente que deixará o Mundial no fim do ano. Felipe Nasr ainda não definiu onde vai correr no ano que vem. Na Indy, há tempos o país sobrevive no grid graças a Castroneves, oriundo da antiga F3 Sul-Americana, e Tony Kanaan. Difícil saber o que virá pela frente. Se é que virá.

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