Um campeão do povo

Ingo Hoffmann não deixou de ser piloto: sua felicidade, agora, está nas motos. Mas os olhos seguem atentos ao automobilismo brasileiro. E seus esforços se concentram em prol da sociedade

Evelyn Guimarães, de Curitiba

Há quase dez anos, Ingo Hoffmann anunciava a aposentadoria do automobilismo. E o cenário não poderia ter sido mais emblemático e digno de seu currículo: o maior campeão da Stock Car disse adeus subindo ao pódio em Interlagos, na última corrida que disputou, em meio a lágrimas e à sensação do dever cumprido. O paulista tinha 55 anos. E provava ali que deixava o esporte por escolha própria e ainda muito competitivo. Mas a atuação profissional não acabou naquele fim de 2008: o ex-piloto assumiu na sequência o posto de diretor-esportivo da equipe AMG –  hoje TMG – por dois anos e se envolveu com a Mitsubishi também, trabalho que lhe deu a chance de pilotar os carros da marca japonesa em testes e aulas, além de promover suas palestras. Ou seja, a vida seguiu seu ritmo veloz. Paralelamente ao esporte, Hoffmann também continuou dedicando tempo à fundação que criou há mais dez anos e que trata de crianças com câncer. "O Instituto que vai  de vento em popa", celebra. Porém, a vida às vezes também revela seus momentos que pedem certo afastamento.

Há pouco mais de um ano, Hoffmann perdeu o filho caçula, que lutava contra tumores no cérebro desde 2010. A tristeza foi tratada de forma reservada. Pouco depois, Ingo também se desligou da Mitsubishi. Mas isso não lhe tirou o entusiasmo. Hoffmann segue dando lições e mostrando a que veio. "Estou até procurando um novo emprego."

O 12 vezes campeão da Stock Car agora vive aventuras em duas rodas, cruzando o Brasil e os países vizinhos - acompanhou até o Rali do Mercosul e também o Rali dos Sertões em agosto. Em busca, claro, de novos desafios. Afinal, é culpa da velocidade e da grande habilidade em guiar. “Ah, eu estou feliz. Agora só viajo de moto”, revela um bem-humorado Ingo ao GRANDE PREMIUM em conversa durante a visita dele à Stock Car na Corrida do Milhão.

Completamente à vontade no paddock da categoria em que dominou durante décadas, Hoffmann conta as histórias em cima de sua BMW 1200 GS com alegria e certo orgulho das grandes peripécias. E esbanja bom humor.

Aos 64 anos, Hoffmann foi a Curitiba a convite da organização do campeonato nacional para ser homenageado. Junto com outros campeões, como Paulo Gomes e Chico Serra, Ingo ganhou da categoria que não deixou morrer uma credencial permanente e a certeza de que vai seguir de mais perto sa disputas pelo país. Essa foi mais uma ação da nova gestão da Stock Car, que tenta resgatar a história do esporte na busca por atrair novos fãs. A cerimônia foi emotiva, Ingo chegou a ir às lágrimas quando lembrado pelo amigo Chico da morte do filho Robert - único momento em que o sorriso fácil deixou o rosto do paulista. 

O ex-piloto brindou a iniciativa e a usou para uma reflexão da própria trajetória no esporte e de como o automobilismo brasileiro trata suas lendas.

 

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