Um fã muito ilustre

João Victor tem 7 anos e é portador da rara Síndrome de Sener, o que não impediu o garoto de criar uma admiração até improvável pela Copa Truck

Gabriel Carvalho, de Campinas

A Copa Truck é uma das categorias mais tradicionais do automobilismo brasileiro. A competição dos caminhões costuma atrair público e criou alguns fãs pelo Brasil, e um deles é bem ilustre, que criou uma admiração até improvável.

João Victor tem apenas 7 anos de idade. O garoto é portador da rara Síndrome de Sener, que como consequência gerou autismo ainda com seis meses de idade. Com um desenvolvimento mais lento, o garoto seguiu a paixão do pai e virou fã de esportes ainda pequeno, sempre com a preferência dos canais esportivos na TV.

Conforme foi envelhecendo, João começou a acompanhar corridas, especialmente muitas disponibilizadas no YouTube. Rapidamente virou fã da Indy, da Nascar e também da Stock Car. O pai apresentou a Copa Truck, confiando que o filho adoraria ver os caminhões em disputa, e acertou em cheio.

“De uns tempos para cá, uns dois anos, começou a ter uma preferência maior pelo automobilismo. É curioso porque ele gosta muito de Indy, Stock Car e Nascar. Um dia, eu apresentei para ele a Copa Truck, porque achei que ele ia gostar dos caminhões correndo. E adorou. Sabe o nome de todos os pilotos. O que ele mais gosta é o André Marques, sabe se lá o porquê. Ele fala do Felipe Giaffone, Beto Monteiro”, disse o pai João Francisco Raposo Soares, advogado.

Além de gostar da categoria, João Victor já tem ciência de quem são os pilotos e de quais provas da Truck acontecem, como a etapa internacional realizada em Rivera, no Uruguai.

“Ele conhece os pilotos, ele assiste e fica assistindo no YouTube, já que tem várias etapas lá. Ele fala: 'Quero ver a etapa de Cascavel, ver a etapa do Uruguai'. Ele sabe e faz o mesmo com a Indy, com a Nascar e Stock Car. Ele é fissurado. O curioso é que F1 ele não assiste tanto. Pede, mas é difícil, gosta mais das outras modalidades”, contou João Francisco, revelando que a Fórmula 1 não tem a total preferência do filho.

João Victor e o caminhão
(Foto: João Raposo Soares)

A temporada 2019 da Copa Truck se encerrou em dezembro, em Interlagos. Com os caminhões correndo na cidade que reside, João Francisco, que não tinha o costume de acompanhar esporte a motor desde a morte de Ayrton Senna, teve a ideia de levar o filho para ver a categoria de perto.

"Ele falava direto da Copa Truck, pedia para ver no YouTube, e eu fui pesquisar para ver quando teria corrida. Eu não sou fã, nunca tinha ido em Interlagos, não sou muito do automobilismo. Assistia a Fórmula 1 com o Senna, depois não assisti mais, era pequeno e novo. Fui procurar na internet e vi que no dia 8 de dezembro teria a Copa Truck em São Paulo e pensei em levar”, disse.

O barulho dos caminhões não foi um problema para João Victor, que ficou encantado ao visitar um autódromo pela primeira vez no treino classificatório da final da Copa Truck.

“Fiquei receoso porque ele tem autismo, têm os barulhos. Um autista normalmente tem sensibilidade com barulho, mas ele não se importou. Até levei um abafador, mas não quis usar e ficou empolgadão. Não levei na corrida, levei no sábado, no dia da classificação. No próximo evento da Stock Car ou da Copa Truck, pretendo levar na corrida”, contou o pai ao falar da experiência do filho em Interlagos.

"Eu levei no sábado porque sabia que teria menos gente, mas ele é tranquilo com bastante gente. O problema maior são algumas coisas que irritam ele, os gatilhos, mas como já tinha levado em parque de diversão e adorou, imaginei que iria gostar. A cara dele quando chegou foi demais. Ficou muito feliz de ver os caminhões", completou o pai.

Além de realizar o sonho de ver a Copa Truck de perto, João Victor teve outra surpresa ilustre: conseguiu encontrar o ídolo André Marques nos boxes da equipe. O piloto era um dos candidatos ao título e acabou com o vice-campeonato, superado por Beto Monteiro.

 

"Chegamos lá ao meio-dia para ver a classificação dos caminhões. Às 16h30, tinha a visitação aos boxes. Assistimos o treino, saímos para comer no shopping mais próximo e voltamos para a visitação dos boxes. Lá, ele adorou, porque o André Marques é o que ele mais gosta, fala sempre, aí quando viu o caminhão dele, tinha um senhor que estava no box e falei pra ele que gostava (do André Marques). Fomos levados para dentro dos boxes, fomos recebidos muito bem, deu um abraço nele lá. Ficou muito feliz. A Manu, minha outra filha, também ficou muito empolgada. Muito gente boa”, completou.