Uma pá de cal para a viagem

Lucas Di Grassi tem avaliações muitas vezes extremamente particulares sobre questões do automobilismo. Talvez este nem seja o caso, visto a realidade que se desenhou para a LMP1 nos últimos tempos, mas o piloto acha que a classe mais tradicional do endurance tem os dias contados. Ao menos da forma como existe hoje

Pedro Henrique Marum, do Rio de Janeiro

É um novo mundo para o automobilismo que se abriu nos últimos tempos. Na verdade, o automobilismo, a F-E e as categorias profissionais de mais baixo custo são apenas um pequeno microcosmo do momento quase pós-apocalíptico que se encontra a indústria automotiva e as soluções que precisa encontrar para o próximo tempo. Aquecimento global, encolhimento do uso e da disponibilidade dos combustíveis fósseis fazem com que a eletrificação cresça e as fábricas olhem para onde podem apostar de forma mais barata e proveitosa. Com uma realidade mais razoável financeiramente falando e mais usabilidade no 'mundo real' que outras categorias de ponta, a F-E é um caminho que cresce, mas não é o único. O peso sobre as categorias tradicionais é cada vez maior e exige cortes de gastos. Assim, empurram cada vez maior fluxo de fábricas e equipes a procurar categorias que se encaixam nesta realidade menos megalômana. Talvez ainda mais que isso, como destaca Lucas Di Grassi, há quem se veja diminuindo como alternativa.

Em entrevista concedida ao GRANDE PRÊMIO em dezembro passado, Di Grassi não se fez de rogado em afirmar: acha que a classe LMP1, aquela que é a mais tradicional do endurance internacional, vai acabar. Ao menos do jeito como ela é feita hoje. A lógica de Lucas não é complicada de ser seguida: o custo-benefício da LMP1 para as fábricas não compensa. Especialmente quando outros espaços se mostram bem mais sedutores, por assim, dizer.

E não é algo longe da realidade atual – e Di Grassi é prova disso. Foi sua empregadora de alguns anos, a Audi, maior vencedora das 24 Horas de Le Mans, que derrubou o dominó final no processo de aumento de importância da F-E, o maior expoente dessa nova realidade, frente ao WEC. Lucas ficou sem emprego na categoria no Mundial de Endurance quando a Audi definiu que estava saindo para focar na F-E. Loucura? Ou, mais provável, apenas um sinal dos novos tempos?

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