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Nossa corrida: a estreia dos sonhos em 1973

O GP do Brasil entrou no calendário oficial da F1 em 1973. Se sonhar é permitido, quem poderia desejar mais do que aquilo que de fato ocorreu? Uma vitória brasileira, com um ídolo ao volante, vindo de um título mundial e celebrando a conquista em casa. Já se passaram 44 anos, mas o Brasil ainda não viu uma história tão perfeita – talvez quase, em 2008…

Se certo narrador já fosse a 'voz oficial' da F1 e do GP do Brasil na televisão, a vitória do argentino Carlos Reutemann na corrida inaugural da categoria em Interlagos, em 1972, seria lamentada para sempre – afinal, a rivalidade entre os dois países no âmbito esportivo é um dos motes do modo de narrar daquele que, hoje, comanda as transmissões do Mundial para o país. Mas ele teria a desculpa perfeita para ignorar essa passagem: um ano depois, Emerson Fittipaldi, já campeão do mundo, não só triunfou em São Paulo como, enfim, a prova valeu oficialmente para o campeonato do mundo. Ou seja: o brasileiro foi o primeiro a pontuar 'de verdade'. E o ufanismo clama por essa história, não? Bom, vamos contá-la, então (medindo as palavras, é claro), pois essa é a segunda história escolhida para a série ‘Nossa corrida’, que vai ao ar aos domingos até a etapa em Interlagos da atual temporada, em novembro. A série relembra os melhores momentos dessa que é uma das etapas mais tradicionais do calendário da F1.

Emerson Fittipaldi já havia vencido a abertura da temporada, na Argentina. A gira sul-americana terminaria no Brasil, duas semanas depois, e dessa vez valendo pontos no Mundial. Como atual campeão do mundo, Fittipaldi estava empolgada, embalado. E tinha a chance de inaugurar a história “oficial” da prova com o clichê dos sonhos do brasileiro – que, como é sabido, prefere ver um compatriota ganhar do que, propriamente, aproveitar o esporte.

 

 

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O piloto brasileiro conseguiu a segunda colocação no grid, atrás de Ronnie Peterson, para a corrida do dia 11 de fevereiro. Um bom presságio – até por deixar o rival Jackie Stewart para trás já de início, já que o britânico conseguiu só a oitava posição.

 O calor na tarde da corrida era forte – a ponto da principal diversão do público na espera pela largada ser… Receber água direta da mangueira. O registro em vídeo é maravilhoso: a torcida sem camisa pulando como se fosse carnaval enquanto se alivia com água gelada. Dos grandes momentos que Interlagos proporcionou.

A festa seguiu na largada, quando Fittipaldi passou Peterson, para a loucura do público Melhor início, impossível.  Stewart, enquanto isso, passa cinco pilotos para se posicionar na briga pela vitória.

Aliás, outro detalhe: José Carlos Pace, que anos depois, claro, se tornaria o nome do autódromo (e ainda venceria em 1975), disparou para a segunda posição. Os molhados brasileiros nas arquibancadas vibravam.

Não durou muito, é claro, pois a corrida seguiu o roteiro do Mundial de 1972: Fittipaldi e Stewart duelavam, o resto se conformava em assistir enquanto brigava de terceiro para trás. Logo o britânico tomou a posição de Pace para dar início ao duelo da tarde.

 

(Emerson Fittipaldi Reprodução)

A famosa Lotus preta que entrou para a história (Emerson Fittipaldi GP do Brasil de 1973)

A vantagem do brasileiro vai crescendo a cada volta. Na sétima, chega a 5s. Na volta 14, já é de 12s. E, só então, essa diferença passa a se estabilizar. Atrás da Lotus de Fittipaldi e da Tyrrell de Stewart, vão mais de 20 segundos para que Denny Hulme apareça. Cerca de 10 voltas depois, já é de um minuto. O duelo é um campeonato à parte.

Fittipaldi venceu o duelo com tranquilidade, até. O importante não era a batalha, para o povo nas arquibancadas. E, sim, o delírio coletivo ao qual foram expostos e optaram por participar. De êxtase, de entrar quase em transe para celebrar o triunfo de um próximo, o brasileiro entende.

A tradicional invasão da pista se abriu com uma insânia em verde amarelo. Fittipaldoi, envolto em uma bandeira brasileira, se entrega aos braços dos milhares de compatriotas. A vitória do ufanismo estava completa. O sonho era possível e acabou alcançando a perfeição.

Pena que, das próximas 13 provas, Fittipaldi acabasse vencendo só uma, na Espanha. Stewart triunfou em cinco e acabou campeão do mundo. Mas aquele momento de delírio em Interlagos para sempre ficou. 

O GP do Brasil deste ano acontece entre os dias 10, 11 e 12 de novembro e pode decidir o título da temporada 2017. Não perca esta grande corrida e adquira já seu ingresso.

 

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