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O melhor dos mundos

Assim como a MotoGP coroou sete vencedores diferentes na temporada, o Mercedes-Benz Challenge vem vivendo um ano incrível e marcado por alta competitividade e equilíbrio: quatro pilotos distintos no topo do pódio nas quatro corridas do ano na CLA AMG Cup e três pontos separando os líderes. Na C 250 Cup, a disputa segue tão parelha quanto

O Mercedes-Benz Challenge vive em 2016 uma temporada dos sonhos. Desde 6 de março, foram quatro etapas disputadas até agora: Curitiba, Goiânia, Tarumã e Cascavel. Em todas as corridas, o fã do automobilismo teve a chance de acompanhar batalhas empolgantes, grids cheios, muita ação, competitividade, alguns sustos e, acima de tudo, um certame imprevisível e emocionante, como deve mesmo ser o esporte a motor. Um exemplo disso, lá fora, é a MotoGP, com uma forma incrível e sete vencedores diferentes em 2016.

No Mercedes-Benz Challenge, a grande prova disso são os resultados apresentados até o momento nas duas classes: a CLA AMG Cup e também na C 250 Cup.

Quando Curitiba abriu a temporada no início de março, a primeira impressão foi que a 2016 teria nome e sobrenome na CLA AMG Cup: Arnaldo Diniz. O paulista acabou sendo beneficiado por uma irregularidade no carro de Christian Mohr, experiente piloto de Joinville que havia feito a pole, herdou a posição de honra e partiu para uma vitória marcante depois de superar o não menos experiente José Vitte naquela que seria a despedida do autódromo paranaense da categoria — o que, felizmente, acabou não se confirmando.

Diniz, campeão em 2014, emendava duas vitórias consecutivas, já que o empresário também havia terminado a última temporada — que lhe foi bastante difícil na maior parte do tempo — com um triunfo logrado em Interlagos. Vitte acabou terminando num bom segundo lugar, com Neto de Nigris em terceiro. Fernando Fortes foi o quarto e Betão Fonseca fechou o top-5.

Na C 250 Cup, veio a primeira surpresa de 2016. Depois de largar na frente, Marcos Paioli, que corre em dupla com Peter Gottschalk, não conseguiu se sustentar na liderança. O grande destaque da prova foi Claudio Simão. Com apenas corridas do Mercedes-Benz Challenge no currículo, o catarinense subiu no topo do pódio, deixando favoritos como Paioli/Gottschalk e Peter ‘Tubarão’ Gottschalk para trás. Não à toa, Simão se empolgou e chegou a falar até em título. Outro bom nome desta etapa foi Flavio Andrade, que garantiu um ótimo segundo lugar.

Arnaldo Diniz foi o grande vencedor da primeira etapa em Curitiba (Arnaldo Diniz Filho se despede de Curitiba no topo (Foto: Fabio Davini))

O que se viu naquela primeira parte do campeonato era uma amostra do que estava por vir. Mas o melhor aconteceria com o desenrolar da temporada em si. A primeira parte do campeonato compreendeu dois tipos bem distintos de circuitos: Curitiba e Goiânia são pistas mais parecidas, bastante seletivas. As corridas seguintes foram realizadas em pistas bem mais rápidas: Tarumã e Cascavel.

Se Diniz teve uma jornada vitoriosa em Curitiba, o dono da corrida em Goiânia na CLA AMG Cup foi Fernando Fortes. O paulista da Mottin Racing fez o que quis no fim de semana no cerrado e não tomou conhecimento dos adversários. Foi daquelas vitórias categóricas, para mostrar aos adversários que ali havia outro grande adversário na peleja pelo título. Debaixo de intenso calor, Fortes mostrou sua valentia e também sua grande performance no Autódromo Ayrton Senna, terminando 14s à frente do segundo colocado, o veterano Claudio Dahruj.

Mas Arnaldo Diniz conseguiu somar bons pontos em Goiânia ao chegar em terceiro lugar, mantendo a liderança. Betão Fonseca foi outro a garantir um resultado bastante satisfatório ao conquistar o quarto posto. No Mercedes-Benz Challenge, uma categoria tão dura e equilibrada, a regularidade é fundamental e é o que acaba determinando os campeões. Não é à toa que Diniz e Fonseca estão ali entre os grandes candidatos ao título.

Se engana, porém, quem pensa que só a CLA AMG Cup teve briga boa. Na C 250 Cup, a batalha foi acirrada desde o treino classificatório. Do pole-position, Marcos Paioli, até o quarto colocado do grid, Vinícius Simão, a diferença foi de exatos 1s. Em teoria, qualquer um desses pilotos tinha a chance de sair de Goiânia com a vitória, com os bons Fabio Escorpioni e Flavio Andrade correndo por fora.

Durante a prova, Paioli e Gottschalk se valeram de vasta experiência e conseguiram uma vitória até confortável, a primeira da dupla em 2016. Depois do segundo lugar em Curitiba, outro pódio, desta vez no lugar mais alto. Olha a regularidade de novo e sendo importante para definir o novo líder. A partir de então, o duo de veteranos se manteve na ponta até agora.

A grande surpresa da segunda etapa foi o segundo lugar de Sergio Maggi, desbancando outro favorito, Claudio Simão, vencedor em Curitiba. Peter ‘Tubarão’ não passou de um quarto lugar, perdendo terreno na luta pelo título, enquanto Vinícius Simão abandonou.

A batalha na C 250 Cup esquentou de vez a partir de Tarumã (Fabio Davini/Mercedes)

No fim de junho, o grande desafio imposto aos pilotos do Mercedes-Benz Challenge foi o Autódromo de Tarumã. De características bem peculiares, o traçado gaúcho de alta velocidade voltava a receber uma prova da categoria dos gentlemen-drivers depois de quatro anos. Assim, apenas alguns veteranos tinham o conhecimento da pista, enquanto outros tiveram apenas os treinos livres para lidar com as primeiras impressões do circuito e seu conhecido asfalto abrasivo.

Arnaldo Diniz, na categoria desde sua fundação, em 2011, era um dos que já tinha conhecimento de Tarumã, mas nem por isso tal condição o colocou como grande favorito à vitória. Prova disso é que a pole-position na CLA AMG Cup ficou com um dos pilotos que estava a fazer sua estreia em Viamão: o vice-campeão Adriano Rabelo, o ‘cearense voador’.

Outra vez o equilíbrio se fez presente no Mercedes-Benz Challenge. O grid parelho se mostrou evidente mais uma vez com a diferença de apenas 0s7 separando os 11 primeiros colocados, de Rabelo, o pole, até Claudio Dahruj. Mantendo a regularidade, Betão Fonseca se enfiou no top-3, superando Diniz Filho, sexto, e Fernando Fortes, que veio logo atrás.

Na C 250 Cup, finalmente começava a brilhar a estrela de Peter Gottschalk ‘Filho’, o ‘Tubarão’. Na disputa interna da Paioli Racing, o paulista conseguiu se colocar à frente do #111 de Marcos Paioli e do pai, Peter Gottschalk para largar na frente em Tarumã, um circuito de muito apreço pela família, acostumada e com o gosto por pistas de alta velocidade. Destaque para um Fabio Escorpioni em franca evolução, alcançando o terceiro lugar do grid, ao lado do veterano de Joinville, Max Mohr.

A disputa em Tarumã na CLA AMG Cup foi marcado, desde o início, pela bela briga entre Rabelo e Luiz Ribeiro. Diferentemente do cearense, o piloto gaúcho contava com amplo conhecimento do traçado de Viamão e tinha nisso um trunfo na luta pela vitória. Só que aí, na volta 17, Artur Bragantini sofreu uma batida violentíssima e capotou o carro várias vezes. Em principio, a direção de prova acionou o safety-car e interveio com bandeira amarela.

Nisso, a maior parte dos pilotos fez a parada obrigatória, o que mexeu de forma importante no resultado final, já que, minutos depois, a corrida acabou sendo encerrada em virtude do impacto da batida e por não haver mais tempo hábil para reparar a barreira de pneus. Rabelo conseguiu manter a dianteira e venceu a corrida, mas Luiz Ribeiro, por exemplo, ficou apenas em quinto lugar. Zebra maior ainda foi a presença do C 250 de Paioli e Gottschalk em quarto lugar na classificação geral, algo fora do comum e que mostrou o quanto o resultado de Tarumã foi atípico.

 

Mas os líderes do campeonato, mesmo com a ordem embaralhada pela bandeira vermelha, ainda se colocaram ali no rol dos primeiros colocados. Arnaldo Diniz Filho foi o nono na CLA AMG Cup, terminando logo atrás de Betão Fonseca, mantendo a liderança do certame. Na C 250 Cup, Peter ‘Tubarão’ Gottschalk ainda conseguiu um bom segundo lugar e subia para terceiro, atrás dos líderes Paioli e Gottschalk e de Claudio Simão.

O resultado da etapa de Cascavel embolou de vez a briga pelos dois títulos (Fabio Davini/Mercedes)

Afeito aos circuitos rápidos, Rabelo chegou a Cascavel embalado pela vitória em Tarumã. Era o impulso perfeito para colocá-lo novamente entre os postulantes ao título e repetir a epopeia quase bem-sucedida de 2015 — faltou pouco para levar a taça na batalha contra Fernando Junior. Só se esqueceram de avisar Lorenzo Varassin, que usou e abusou da experiência no Autódromo Zilmar Beux e garantiu uma grande pole-position na CLA AMG Cup, superando o ‘Cearense Voador’ por meros 0s011.

Na C 250 Cup, o fim de semana foi todo de Peter Michael Gottschalk. Foi a redenção do atual campeão depois de um começo tão difícil de 2016. Em contrapartida, o pai, Peter Gottschalk, sofreu um forte acidente no começo do sábado e chegou a fraturar uma costela, além das avarias causadas ao carro. Por muito pouco a dupla líder do campeonato não ficou de fora da etapa cascavelense. Assim, Vinícius Simão, de volta ao grid, garantiu um lugar na primeira fila da classe, com Fabio Escorpioni novamente aparecendo bem.

Naquele domingo, a corrida foi toda de Peter ‘Tubarão’, que finalmente conseguiu vencer a primeira prova no campeonato e, de quebra, encostar nos líderes Paioli e Gottschalk, ficando apenas quatro pontos atrás (65 x 61).

“A primeira parte da temporada foi de muitos desafios para mim. Nas duas primeiras provas eu tive problemas e não consegui a pontuação possível. Depois melhorou bastante para mim, com duas poles e uma vitória”, comentou Peter Michael, aliviado, ao GRANDE PREMIUM.

Marcos Paioli, por sua vez, lamentou pelo acidente sofrido pelo seu companheiro de equipe, mas garante que a dupla está mais forte do que nunca para lutar pelo título. “Nosso grande problema em Cascavel foi o acidente que o Peter sofreu no sábado pela manhã, que acabou trazendo um prejuízo para nós na classificação e na corrida também porque afetou muito o carro. Na telemetria, apontou uma força G de 6,2, então danificou muito o carro. O Peter, inclusive, sofreu uma fratura de costela. Mas ele está recuperado, o carro também”, assegurou.

A batalha na CLA AMG Cup confirmou a boa forma de Rabelo e sua vitória em Cascavel. Porém, quatro horas depois da bandeirada final e da festa no pódio, uma reviravolta fez com que o Mercedes-Benz Challenge tivesse seu quarto vencedor diferente em sua principal classe. O fato é que uma série de pilotos recebeu punição por ter queimado a faixa de entrada dos boxes. Rabelo foi um deles, assim como o líder do campeonato, Arnaldo Diniz.

Assim, o campeonato embolava de vez: o veterano Marcelo Hahn, que havia chegado em segundo, herdou a vitória, com Luiz Ribeiro em segundo e Betão Fonseca, o rei da regularidade nesta primeira parte do campeonato, fechou o top-3 com os resultados revistados.

Peter Michael ‘Tubarão’ Gottschalk luta pelo bicampeonato na C 250 Cup (Fabio Davini/Mercedes)

A temporada compreendeu duas corridas com uma dinâmica parecida, tanto em razão das características da pista como da prova em si: tanto em Curitiba como em Goiânia, os ponteiros conseguiram uma vitória expressiva. Em Tarumã e Cascavel, as disputas foram marcadas por situações comuns ao esporte a motor, como punições e acidentes, mas que mexeram com a ordem natural das coisas, nas duas categorias.

O que não tira o brilho do que foi esta primeira parte da temporada do Mercedes-Benz Challenge. Um grande equilíbrio e a incerteza sobre quem será o campeão é o que torna a disputa ainda mais interessante neste segundo semestre intenso, com uma corrida por mês até o fim da temporada, em 11 de dezembro, exatamente três meses depois da corrida do próximo domingo.

Interlagos é a casa de vários dos pilotos do grid e a imensa maioria conhece muito bem os segredos do traçado paulistano, de modo que praticamente não há como apontar favoritos. Cabe ressaltar a boa forma de Arnaldo Diniz Filho e Fernando Fortes na CLA AMG Cup, sem se esquecer da grande temporada que Betão Fonseca tem feito. Adriano Rabelo, que conseguiu se recuperar nas últimas corridas do campeonato, poderia estar ali na briga se não fosse pelo vacilo em Cascavel, mas virá ‘mordido’ para São Paulo neste fim de semana.

Quanto à luta na C 250 Cup, aí já é possível dizer que os favoritos destacados são os carros da Paioli Racing. Marcos Paioli/Petter Gottschalk briga diretamente com o vice-líder do campeonato, Peter ‘Tubarão’. Mas não dá para descartar, por exemplo, o paulista Fabio Escorpioni, que vem fazendo excelente temporada de estreia e ocupa o quinto lugar. Uma das esperanças do novato é subir ainda mais na classificação e ‘comer pelas beiradas’ na briga pelo título.

Seja como for, o Mercedes-Benz Challenge tem tudo para proporcionar uma grande segunda parte de temporada nos próximos três meses. Vale a pena conferir!

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