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Um confronto tamanho-família pelo título no Mercedes-Benz Challenge

A luta pelo título da classe C 250 Cup do Mercedes-Benz Challenge está pra lá de acirrada e traz como pano de fundo uma verdadeira batalha em família

Há poucas semanas tivemos a chance de relatar no GRANDE PREMIUM o quanto o Mercedes-Benz Challenge pode unir uma família em torno das corridas. A parceria entre Paulo e Lorenzo Varassin na classe CLA AMG Cup chama a atenção por colocar pai e filho em revezamento ao longo das provas da categoria dos gentlemen-drivers desde 2014. Em Cascavel, a dupla teve um bom momento ao largar da pole-position.

Mas ao mesmo tempo em que pai e filho podem lutar juntos, uma família também pode brigar pelo título, mas cada um por si. É o que acontece, por exemplo, na classe C 250 Cup, quando Peter Gottschalk tem a chance de lutar pela taça com o filho, Peter Michel Gottschalk, apelidado de ‘Tubarão’.

Diferente dos Varassin, os Gottschalk sempre correram um contra o outro. E assim vem sendo também desde a primeira temporada do Mercedes-Benz Challenge, em 2011. Pela tradicional equipe Paioli Racing, chefiada pelo também piloto e parceiro de ‘Peter Pai’, Marcos Paioli, o patriarca luta com o herdeiro pelas primeiras posições do grid. A luta vem ganhando contornos cada vez mais acirrados nos últimos anos.

Em 2015, Peter ‘Tubarão’ Gottschalk, o filho, conquistou o título da classe C 250 Cup do Mercedes-Benz Challenge ao levar a melhor e vencer quatro das oito corridas do campeonato. Mas ‘Peter Pai’ garante que vai lutar pelo título até o fim. Aos 60 anos, o patriarca Gottschalk tem como sua atividade cotidiana o trabalho como industrial, atuando no ramo de embalagens de vidro no qual também faz parte ‘Tubarão’. No trabalho, são aliados e unidos por um só ideal. Mas na pista a história é bem diferente.

Pai e filho Gottschalk (com Paioli entre eles) figuram com frequência no pódio do Mercedes-Benz Challenge

O GRANDE PREMIUM traz um pouco da relação entre pai e filho, mas desta vez como adversários. A luta pelo título entre os pilotos teve um capítulo a mais em Cascavel, no mês de julho. Peter Gottschalk e Marcos Paioli lideravam a temporada, mas o sexto lugar na corrida na classe C 250, combinado com a vitória de Gottschalk ‘Tubarão’, ajudou a colocar o filho mais perto da liderança do campeonato.

O placar após quatro etapas aponta 65 pontos para a dupla de veteranos, enquanto Peter Michel vem logo atrás, com 61. Diante de uma batalha bastante acirrada pela principal taça da C 250 Cup — que também compreende a disputa da classe Master —, está claro: família à parte, quando se veste o macacão, balaclava e capacete, aí é cada um por si.

“Lá na pista nós competimos. Claro que existe uma grande diferença de idade, e a cada dia ele vem sendo mais rápido do que eu. Mas apesar de competirmos um com o outro, nós temos um fim de semana a cada mês em que nós estamos muito juntos, aproveitando junto as coisas, e é muito legal, uma oportunidade ímpar. É muito difícil você, como pai, ainda estar numa idade e numa forma capaz de correr com o filho”, fala ‘Peter Pai’ ao GRANDE PREMIUM.

O veterano já está nas pistas desde quando o filho ainda era um menino. Antes de colocar o filho nas pistas ao redor do Brasil, Gottschalk já tem seu histórico. “Já corro há algum tempinho. Desde 1996, 1997, mas levando em conta a situação financeira, a gente vai e volta. No Mercedes, nós estamos desde 2011, desde a primeira temporada. Já fizemos de tudo: corri de F-Ford, fizemos a DTM Pick-up também, a Copa Clio e, agora, o Mercedes-Benz Challenge.”

Peter Gottschalk ‘Pai’ corre ao de Marcos Paioli no C 250 #111

Da mesma forma que o pai, Gottschalk ‘Tubarão’ está no Mercedes-Benz Challenge desde o nascimento da categoria. Bem-humorado como o pai, o herdeiro Gottschalk falou até sobre a origem do apelido, resultado de uma narração durante uma corrida na antiga Copa Clio em que o narrador chegou a falar ‘Gottshark’, e aí a alcunha virou sua marca.

“Comecei desde o primeiro ano no Mercedes. Em 2014 acabei perdendo o título na última prova por causa de uma vacilada, mas no ano passado foi o campeão”, afirmou o paulista, hoje com 35 anos. “Tivemos problemas nas primeiras três corridas, mas estamos recuperando para ver se conseguimos levar de novo o campeonato”, afirmou o piloto antes de subir no topo do pódio e triunfar na C 250 Cup em Cascavel.

Peter Michel falou que o clima de rivalidade é só na pista, que tudo é encarado de uma forma muito leve e divertida, mas com algumas ‘broncas’ aqui e ali ao longo desta trajetória. “Quando a gente coloca o capacete, é cada um por si. Já levei muita bronca do meu pai quando eu o passei sem autorização, mas acho que é uma rivalidade bacana, mas nada muito forte também [risos].”

“Vou te dar um exemplo: uma vez nós estávamos em um treino em Campo Grande, e aí eu estava rápido. Fui fazer a ultrapassagem, ele engrossou, a gente acabou tocando roda… Ele não gostou muito e veio me dar bronca, disse que eu tinha que pedir autorização para passar por ele [risos]… são essas coisas que nos fazem divertir enquanto estamos correndo e disputando”, comentou.

Peter ‘Tubarão’, o herdeiro da família Gottschalk, é o atual campeão na C 250 Cup ( )

‘Peter Pai’ também tem seus ‘causos’ para contar envolvendo a disputa na pista com o filho e piloto.

“Em Salvador, ele estava atrás de mim, mas eu estava mais rápido, e aí ele falava no rádio: ‘Pô, sai da frente que meu carro vai esquentar’. E se o seu carro vai esquentar, imagina o meu que vai ficar lá atrás? [risos] Então tem essas coisas, tudo isso que a gente acaba trocando experiência, saber ganhar, saber perder. De fato, é uma oportunidade de ouro poder conviver junto e passar alguma coisa para ele”, comemorou o veterano, que ao mesmo tempo que se vê como adversário do filho, também trata os finais de semana como uma forma de apoiar seu herdeiro de uma forma ou de outra.

“Tivemos várias chances de passar alguma experiência. Lembro bem de uma prova do DTM Pick-up que ele bateu no warm-up em Tarumã, e aí a gente saiu correndo para arrumar outro carro, e falei para ele: ‘Cara, você tem de entrar rápido no carro para não deixar bater o medo’”, lembrou o veterano Gottschalk.

‘Peter Pai’ e Marcos Paioli lideram a temporada na classe C 250 Cup ( )

Por fim, ‘Peter Pai’ falou sobre o caso de amor que tem com a Mercedes, que vai muito além das pistas. O piloto contou que foi parte decisiva no desenvolvimento do C 250 Turbo, carro que desde 2011 faz parte do grid do Mercedes-Benz Challenge e até hoje proporciona boas corridas para a tradicional categoria dos gentlemen-drivers.

“A relação é fantástica. Eu sempre fui ‘mercedeiro’, né? Sempre gostei, admirei muito a Mercedes, então é muito bacana poder trabalhar a fábrica. Esse nosso C 250, nós o ajudamos a desenvolver, foi tudo aqui no Brasil, diferente da CLA 45 AMG, e ficou um carro espetacular, um tanque de guerra, então tudo isso só nos aproxima mais da fábrica”, concluiu.

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