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Como Mercedes e PETRONAS se tornaram uma coisa só na F1

Às vésperas do início da temporada 2021, o GRANDE PRÊMIO mergulha na parceria entre a Mercedes e a PETRONAS na Fórmula 1 para entender como a equipe se tornou em poucos anos um dos conjuntos mais fortes de toda a história

Em 2020, a Mercedes e sua parceira PETRONAS conquistaram o sétimo título na F1 (Foto: Mercedes)

A história da Fórmula 1 também é formada por muitas dinastias, por equipes e pilotos que dominaram o campeonato e levaram adversários ao limite. Só para ficar nos últimos 20 anos, Ferrari e Red Bull comandaram o grid com carros velocíssimos e empilharam vitórias e títulos, brindando o público com atuações impecáveis de Michael Schumacher, no início dos anos 2000, e de Sebastian Vettel, a partir de 2010. Os dois alemães conquistaram 11 títulos nessas duas décadas. E adicionaram capítulos importantes ao livro de recordes do Mundial. Mas a maior das categorias jamais viveu um período de tamanha supremacia como agora. A Mercedes e a PETRONAS elevaram o sarrafo para um patamar bem diferente. A excelência do trabalho desse conjunto rendeu uma performance poucas vezes vista em toda a trajetória do esporte e, em sete temporadas, ressignificou a palavra domínio.

Parceiras há mais de uma década, a equipe alemã e a petrolífera malaia elaboraram uma certeira fórmula vencedora que resultou até o momento em sete títulos mundiais consecutivos, algo inédito em 70 anos de Fórmula 1. São 105 vitórias e 117 poles desde 2012. Em pouquíssimo tempo, esse grupo tão bem azeitado já se coloca como um dos mais importantes de toda a história. Também foi a bordo dos carros da marca da estrela que Lewis Hamilton se consagrou na Fórmula 1 e virou um ícone.

O inglês se encaixou como uma luva nesse ambiente altamente competitivo e sofisticado criado pela Mercedes e pela PETRONAS. O piloto mudou a F1 para sempre, não só pelos recordes e grandes exibições na pista, como também pela forma como se relaciona com a equipe, as pessoas, além do intenso trabalho na defesa dos direitos humanos e da diversidade no esporte. Tudo com enorme respaldo de seus empregadores.

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Lewis Hamilton é o grande líder da Mercedes desde 2013 (Foto: Mercedes)

Portanto, o que se vê é um conjunto de elementos combinados que vai muito além de um patrocínio, é uma ligação de valores e uma associação técnica quase inédita. E esse é um dos pontos levantados por Toto Wolff, o chefão da Mercedes, ao definir o sucesso do relacionamento com a PETRONAS.

“A parceria que a PETRONAS e a Mercedes têm na Fórmula 1 é o tipo de parceria que não poderia ser melhor”, diz o austríaco em entrevista acompanhada pelo GRANDE PREMIUM. “No começo, era uma relação voltada ao marketing que beneficiava ambas as marcas, mas acabou se transformando numa parceria técnica que contribuiu muito para a conquista de sete títulos mundiais na F1.”

“Nós não conseguiríamos sem a PETRONAS. Eles estão o tempo inteiro trabalhando muito para melhorar ainda mais a performance. E isso é o que faz essa relação tão especial”, completa.

Só que há outros detalhes dessa interação que nem sempre aparecem, mas que são essenciais. De fato, o desenvolvimento associado entre PETRONAS e Mercedes fez com que essas marcas se tornassem algo único. E talvez seja esse mesmo o segredo de anos tão bem-sucedidos. Também por isso, o trabalho para desvendar essa estrutura é entender como ela funciona por dentro. “Nós temos um conjunto de iniciativas que nos ajuda muito a estar sempre à frente de uma competição tão intensa e dinâmica como é a Fórmula 1. Nós temos um pilar muito importante que é a parceria”, afirma Ricardo Brandão, gerente de marketing da PETRONAS ao GRANDE PREMIUM.

O chefe Toto Wolff é um dos pilares desse grupo de sucesso (Foto: Mercedes)

“A PETRONAS está na F1 desde 1995, já entendeu como funciona essa dinâmica e todas as exigências que a F1 possui, com as equipes solicitando cada vez mais avanços. Essa parceria também vai muito além de um patrocínio que está no carro. Nós temos engenheiros que trabalharam diretamente com o time no desenvolvimento do carro, dos motores, do câmbio, porque nós fornecemos todos os lubrificantes e todos os fluídos para todos os componentes do carro”, explica.

A excelência desse grupo na pista vem também de uma simbiose que parece lógica, mas que precisa de um ambiente de confiança e trabalho para funcionar bem. “A PETRONAS anualmente desenvolve, em seu centro de tecnologia na Itália, cerca de 200 formulações diferentes, entre lubrificantes, combustíveis, justamente para atender momentos específicos do campeonato, circuitos específicos para a Mercedes, altitudes, tudo isso que influencia no desempenho do carro”.

“E o principal desafio é entender a evolução dos carros e dos motores e atender a isso com o lubrificante correto, na formulação correta, na viscosidade correta, com a performance correta. Esse é um trabalho que a gente acompanha muito de perto. Nós temos dois engenheiros que ficam ao lado da pista e acompanham ali a equipe durante todo o ano, em todos os circuitos. Nós temos um laboratório dentro dos boxes da equipe Mercedes e, a cada corrida, a cada teste, a cada treino, a gente está ali testando lubrificante, para ver se há algum indício de que o motor está desenvolvendo algum problema, se pode indicar alguma quebra, se está com a viscosidade correta. Enfim, esse conjunto engrenado entre a PETRONAS e a equipe e a busca pela evolução tecnológica do carro são os pontos cruciais para fazer dessa parceria um sucesso”, justifica Brandão.

Ricardo Brandão ao lado de Lewis Hamilton (Foto: Rodrigo Berton/Grande Prêmio)

Além de projetar carros rápidos e praticamente imbatíveis, que se adaptam bem a todo tipo de traçado do intenso calendário da Fórmula 1, a Mercedes conta com a PETRONAS em um ambiente em que a precisão é fundamental para proporcionar a alta confiabilidade dos componentes dos modelos da equipe alemã. Por isso, tudo é testado à exaustão, não só durante os fins de semana de corrida, mas também nos laboratórios e na sede do time, na Inglaterra. Ricardo detalhou o plano vencedor do grupo: “Em nossos laboratórios, a gente faz todos os testes, todas as formulações possíveis.”

“Por exemplo, em termos de temperaturas muitas altas, em corridas na Europa, no meio do ano, ou em provas como no Bahrein, em que a corrida acontece no início da noite. Aí, embora seja no Oriente Médio, a temperatura já cai, muito diferente de outras regiões. Isso tudo altera a performance do motor, altera a necessidade do lubrificante e como se comporta dentro do motor. Tudo depois é transportado para a Inglaterra e aí, junto com a Mercedes, são feitos todos os testes. Por isso, conseguimos entregar todos os componentes funcionando corretamente”, acrescenta o executivo.

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OS EFEITOS DA PANDEMIA

Dizem que nos momentos mais difíceis é que as pessoas se superam. A pandemia do novo coronavírus mudou tudo e forçou as pessoas a se isolarem, como forma de proteção. Foi um recuo no ritmo de trabalho e da forma como enxergar o planeta e suas exigências. Ainda não há previsão de quando a Covid-19 vai dar uma trégua, mas foi nesse cenário que os esportes e todos os envolvidos tiveram de se reinventar.

“A pandemia mexeu com todo mundo. A F1 não foi exceção. Vimos que eles buscaram circuitos diferentes para cumprir um calendário, e isso causou um impacto também no nosso desenvolvimento de produtos não só junto à Mercedes, mas de maneira geral. A questão da matéria-prima foi crucial. A disponibilidade dela, porque de repente passou a faltar elementos básicos, utilizados no desenvolvimento de produtos, especialmente o lubrificante”, conta Brandão.

A Fórmula 1 recalculou a rota em 2020 e foi capaz de montar um calendário de 17 provas, além de implementar outras regras e protocolos de segurança. A Mercedes e a PETRONAS também foram obrigadas a buscar soluções para essa nova realidade. Mais uma vez, conseguiram ir além.

“Mas com a nossa atuação na Malásia, no desenvolvimento de algumas matérias-primas essenciais, como o próprio óleo básico, que é um elemento fundamental do lubrificante, nós conseguimos garantir o fornecimento do que era preciso. A nossa parceria com diversos fornecedores nos permitiu ter acesso a essas matérias-primas que são essenciais. Sem dúvida, o alinhamento do comitê de crise, que foi instalado dentro da empresa para fazer essa gestão da parceria junto aos fornecedores, garantiu que a gente pudesse entregar tudo que era necessário para a equipe competir.

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A pandemia mudou a cara da Fórmula 1 (Foto: Mercedes)

MUITO ALÉM DAS PISTAS

A Fórmula 1 também é conhecida por ser um enorme e sofisticado campo de provas. Não só para soluções técnicas, mas também para visibilidade global. O campeonato está na vanguarda das inovações que resultam em produtos que vão parar nas ruas. Portanto, sete títulos mundiais depois, a PETRONAS sente que o investimento e o trabalho conjunto com a Mercedes funcionam como uma operação realmente única e especial. “Nos dá muito orgulho contribuir para isso de maneira positiva, de maneira tão eficaz nessa performance da equipe. Sem sombra de dúvidas, foram sete anos de títulos que contribuíram muito para o conhecimento da marca PETRONAS no mundo. E nos permitiu também conhecer muito daquilo que nós levamos da F1 para as ruas.”

“Alguns produtos que a gente lançou saíram dessa parceria, desse conhecimento, especialmente dessa era híbrida da F1. Inclusive, isso nos permitiu ser a primeira empresa aqui no Brasil a lançar, em 2019, o primeiro produto para veículos híbridos do mercado. Então, é um ganha-ganha muito grande”, reconhece Brandão, que ainda quer mais.

“A gente sabe que é difícil, as outras equipes estão cada vez mais ávidas para tirar essa posição da gente, mas estamos confiantes de correr por mais um título neste ano.”

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