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O fator humano da parceria Mercedes-PETRONAS na F1

Em um esporte tão competitivo quanto à F1, cada pequeno detalhe é importante para se construir uma trajetória de sucesso. Mas há algo que é fundamental. E nos últimos anos, quem melhor traduziu isso foi a Mercedes, ajudada pela parceria com a PETRONAS

A Mercedes AMG PETRONAS é uma das equipes mais bem-sucedidas da história da Fórmula 1 (Foto: Mercedes)

A Fórmula 1 é um dos esportes mais complexos e difíceis do mundo. O campeonato nasceu para ocupar um lugar de vanguarda. Está no DNA da categoria mais famosa do automobilismo a busca incansável por inovação. É onde está a tecnologia de ponta, a sofisticação da máquina, a tendência de futuro. Não à toa, o Mundial atrai fãs por onde passa há mais de 70 anos. Afinal, estar presente neste ambiente altamente competitivo é realmente para poucos e exige coragem, porque a exposição é enorme, para o bem e para o mal. Vencer é extraordinário, mas permanecer no topo é algo mais. Até por isso, apenas alguns nomes se tornaram icônicos e seus legados seguem. Foram conjuntos bem-sucedidos, mas que não foram capazes de comandar o esporte por muito tempo. Nesta última década, entretanto, a Fórmula 1 vem acompanhando atentamente a ascensão e o domínio da Mercedes AMG PETRONAS. Isso porque a equipe se impôs de tal maneira que parece que jamais deixará de brigar por vitórias e títulos. Portanto, se torna inevitável saber qual é o segredo do sucesso.

É uma pergunta que frequentemente permeia as principais figuras dessa organização. Isso porque, entre 2014 e 2020, foram nada menos do que sete títulos mundiais de Construtores e outros sete de Pilotos. Ninguém na história foi capaz de estabelecer uma supremacia dessa. Insiste-se, então, em uma receita de sucesso, um ingrediente secreto. Algo que vai além da máquina e da frieza dos números. A verdade é que a resposta vem de forma simples: “São as pessoas”.

É assim que Toto Wolff, o chefe da Mercedes AMG PETRONAS, define as vitórias que a equipe alemã e a parceira malaia conquistaram na Fórmula 1.

Toto Wolff, chefe da Mercedes AMG PETRONAS, e Lewis Hamilton formam a face do grupo sete vezes campeão (Foto: Mercedes)

O austríaco está à frente desse conjunto desde 2013 e se tornou o rosto dessa jornada, ao lado de Lewis Hamilton, o maior piloto de todos os tempos. O inglês é o recordista absoluto de triunfos e poles, além de possuir o mesmo número de títulos de Michael Schumacher. Ambos lideram esse grupo único. “Acho que quando a gente fala da equipe, nós estamos falando das pessoas”, afirma Wolff.

“E muitas vezes se esquecem disso. Falam que a Mercedes é isso ou aquilo, é tão bem-sucedida, mas são as pessoas que são o fator maior. Claro que temos os recursos por atrás disso, mas o que importa mesmo é a mentalidade de cada pessoa nesta equipe. Todos estão alinhados com os mesmos valores. Integridade, lealdade e sempre se prender à verdade. O mais importante é estabelecer os objetivos corretos. E isso nos motiva a continuar pressionando até o limite”, completa o dirigente.

“AS PESSOAS SÃO O FATOR MAIOR”
Toto Wolff

Ao responder o mesmo questionamento, a petrolífera malaia não hesita. “É fundamental”, concorda Ricardo Brandão, gerente de marketing da PETRONAS. “Uma empresa do tamanho da PETRONAS, que opera em mais de 90 países e que vem se tornando uma das grandes do segmento, com uma performance tão vitoriosa dentro da F1, por exemplo, só enfatiza essa questão do fator humano.”

“São pessoas comprometidas, direcionadas pelo resultado, as pessoas certas nos lugares certos, para fazer tudo acontecer. A velocidade com que as coisas vêm mudando, não só na F1, mas no mercado de maneira geral, faz com que essa conexão seja muito intensa, muito ajustada, fluída. E essa ligação que a gente tem mundialmente é uma prova de que pessoas estão orientadas para contribuir de maneira íntegra, holística, para entregar o melhor. E isso são as pessoas que fazem, definitivamente”, completa.

Ricardo Brandão ao lado de Lewis Hamilton (Foto: Rodrigo Berton/Grande Prêmio)

A petrolífera malaia possui uma integração de trabalho com a Mercedes na Fórmula 1 muito afinada, de fato. Mas há um ponto que chama a atenção também. Mais do que um conjunto técnico vencedor, existe um entendimento comum daquilo que acontece ao redor. A petrolífera permaneceu ao lado da equipe em todas as iniciativas para promover a diversidade no esporte, além das manifestações em favor dos direitos humanos. A própria marca malaia possui também ações para desenvolver talentos e oferecer oportunidades que vão além dos laboratórios.

“A PETRONAS tem internamente diversos programas que envolvem diversidade de maneira ampla. Nós temos a diversidade sob a ótica feminina. Nós temos um grupo que chamamos de ‘Elas por Elas’. É um comitê que dá voz às mulheres da PETRONAS. Também temos um programa que chamamos de ‘Cor e Ação’, que é voltado para as questões raciais. Há o comitê voltado para a questão de gênero”, conta Ricardo, que acrescenta ainda que é um movimento natural dentro da PETRONAS, muito em função da Malásia, cuja população também é composta por povos de diversas regiões da Ásia.

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Através do programa ‘Trackside Fluid Engineers’, a engenheira Stephanie Traver foi selecionada para trabalhar junto à Mercedes (Foto: Mercedes)

“Então, tudo isso mostra uma preocupação grande da empresa. Mas acho que, mais do que preocupada, a PETRONAS é contra qualquer tipo de discriminação. Acho que isso está um pouco no DNA. Colocamos em prática aquilo que a gente já sente dentro da empresa”, emenda.

Brandão fala em números também. “Nós temos mulheres trabalhando em nossos laboratórios, no desenvolvimento e testes de produtos. Também posso falar que 40% dos principais executivos da empresa são mulheres, que estão em áreas como da tecnologia da informação, finanças e tudo mais. Acho que isso mostra bem o direcionamento da PETRONAS na relação da diversidade e do respeito”, destaca.

STEPHANIE TRAVERS
fez história na Fórmula 1 ao subir ao pódio ao lado de Lewis Hamilton no GP da Estíria de 2020

Foi um dos programas da PETRONAS, o ‘Trackside Fluid Engineers’, que ajudou a Mercedes a viver uma das experiências mais emocionantes na F1 em 2020. O pódio do GP da Estíria entrou para a história. Lewis Hamilton venceu aquela corrida na Áustria e levou consigo a engenheira Stephanie Travers para a celebração, um dos momentos mais aguardados de qualquer corrida. Travers foi a primeira mulher negra e africana a subir no pódio da Fórmula 1, que comemorou na temporada passada 70 anos.

Nascida no Zimbábue há 27 anos, Travers formou-se em engenharia química em 2016 pela Universidade de Bradford, na Inglaterra, e no ano seguinte obteve a especialização no Imperial College de Londres. Antes de se formar, porém, Stephanie trabalhou como professora de piano e como garçonete até conseguir ir atrás do sonho.

Em março de 2019, Stephanie foi selecionada em um processo global desenvolvido pela PETRONAS para ser engenheira de fluídos e trabalhar junto à Mercedes. Ao todo, Stephanie enfrentou mais de 7 mil concorrentes.

Stephanie Traver representou a Mercedes no pódio (Foto: Mercedes)

Desde que se uniu à PETRONAS para trabalhar em conjunto com a Mercedes, a rotina de Stephanie compreende a chegada à pista na terça-feira, bem antes do início das atividades, para ajudar a montar o laboratório de combustível. Nas corridas fora da Europa, este laboratório fica dentro da garagem da equipe.

“Analiso o lubrificante do motor, o lubrificante do câmbio e o combustível durante o fim de semana de corrida. Faço a análise de combustível para garantir que estamos em conformidade com os regulamentos para verificar se não temos tambores de combustível contaminados durante o transporte e para garantir que, ao abastecer as plataformas de combustível, a bomba de combustível e ao abastecer o carro, não temos contaminação, e não podemos transportar se mudarmos as especificações de combustível”, descreveu Travers em entrevista concedida ao site Women On Wheels.

SUSTENTABILIDADE
e a tecnologia que sai das pistas para as ruas

A PETRONAS em conjunto com a Mercedes também está envolvida com o futuro não só do esporte, mas também em desenvolver culturas sustentáveis. Assim como a Fórmula 1, que tem como um de seus pilares alcançar tecnologias renováveis nos próximos anos, a petrolífera já fala em “zerar a emissão de carbono nas suas operações até 2050”.

A sustentabilidade é uma pauta recorrente e o atual regulamento do Mundial, com os motores híbridos, é um dos pontos de partida, segundo Brandão. As unidades de potência V6 equipam os carros desde 2014, quando as regras do Mundial mudaram radicalmente. Não à toa, a esquadra alemã domina o campeonato desde então. “Falando especificamente do trabalho junto à Mercedes, sem sombra de dúvidas contribui muito para o nosso dia a dia aqui na PETRONAS”, diz Ricardo, acrescentando que o campo de testes que é a F1 também ajudou a levar para as ruas os produtos desenvolvidos na competição.

“Esses motores têm nos ensinado bastante a ponto de nos tornarmos, aqui no Brasil, a primeira marca a ter um produto focado nos veículos híbridos, lançado em 2019. Então, essa parceria trabalha em conjunto com essas operações, PETRONAS-Mercedes, também extrapola para o mercado, trazendo as inovações e as novidades, para os consumidores”, completa.

A F1 segue sendo um enorme campo de testes (Foto: Racing Point)

O gerente de marketing ainda enfatiza a importância de se colocar como uma marca de destaque em uma plataforma como a Fórmula 1. “É um laboratório das tendências que vão para as ruas nos carros. Com a Mercedes, o exemplo mais tangível veio da era híbrida. Antes os motores eram V12, turbo, eram enormes, mas esses motores de agora são menores e híbridos, só que ainda têm a mesma potência. A velocidade dos carros, com todo o aparato aerodinâmico, tem aumentado a cada ano, a cada temporada. E isso também acontece com os carros de rua. Os motores mudaram, mas estão cada vez mais potentes.”

E é nesse ponto que entra o trabalho das pistas também. “Há 15 ou dez anos, um carro 1.0 tinha 68, 70 cavalos. Hoje, esse mesmo motor tem 115, 120 cv. Essa redução no tamanho do motor gera um aumento da temperatura interna do motor. E aí o lubrificante entra como um catalisador, um estabilizador dessa temperatura. As pessoas talvez não tenham essa consciência, mas o lubrificante também ajuda a manter estável a temperatura interna do motor. É importante que o lubrificante tenha essa performance adequada, e isso aí certamente veio com a parceria da PETRONAS com a Mercedes.”

“É um aprendizado também que as pessoas não veem, é um diferencial que saiu das pistas para as ruas, mas que está aí presente e provando que a F1 segue sendo um laboratório de inovações”, finaliza Brandão.

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