Quando Senna tinha tudo para não ganhar

Ganhar no Brasil era uma obsessão para Ayrton Senna, ainda mais em sua cidade, ainda mais no traçado que ajudou a desenhar. Foi conseguir na oitava tentativa, a segunda em Interlagos

Flavio Gomes, de São Paulo

Eu estava em Interlagos em 24 de março de 1991. Nenhuma novidade. Estivera no ano anterior, quando a F1 voltou a São Paulo, e estive em todos os anos seguintes. E é claro que aquele 24 de março foi especial, pela intensidade da cobertura – eu trabalhava na “Folha de S.Paulo” – e pelo ineditismo da vitória de Senna. Ele tentava ganhar no Brasil desde 1984, quando estreou pela Toleman em Jacarepaguá – sem chances, diga-se. A partir de 1985, no entanto, a expectativa de um triunfo espetacular e histórico passou a ter alguma concretude. A Lotus era um carro bom, capaz de ganhar corridas. Tanto que ganhou, alguns meses depois.

Mas sempre acontecia alguma coisa, e não vou lembrar, ano a ano, o quê. Lembro bem de 1988, primeira prova pela fortíssima McLaren, mas o carro teve algum piripaque, ele trocou antes da largada, não podia, foi desclassificado. Em 1989, ainda no Rio, um sanduíche na largada arrancou um pedaço de seu carro (que voou em minha direção, eu estava por dentro da pista na Curva 1, junto ao guard-rail, bons eram aqueles tempos), teve de ir para os boxes, trocou o bico, perdeu muito tempo, chegou lá atrás. Mansell ganhou, a primeira vitória de um carro com câmbio semiautomático na F1, a linda Ferrari “bico de pata”. Em 1990, já em Interlagos, a bobeada que transformou Nakajima em vilão, quando na verdade quem errou foi Senna – estava um ano na frente de todo mundo e bateu ao tentar colocar uma volta no pobre japonês num ponto do circuito que não é lá o melhor de todos para ultrapassar um retardatário. Ainda assim, terminou no pódio, em terceiro.

Quer ler esta matéria na íntegra?