Óleo de Lorenzo: na Ducati, #99 busca feito raro

Apenas Casey Stoner, Valentino Rossi, Eddie Lawson, Giacomo Agostini e Geoff Duke fizeram o que agora Jorge Lorenzo espera fazer: ser campeão mundial de motovelocidade por duas equipes distintas

Pedro Henrique Marum, do Rio de Janeiro

 

O acordo de Jorge Lorenzo com a Ducati é estrondoso. Quando as duas partes se acertaram, ainda no primeiro semestre do ano passado, os valores chegavam a assustar: os números rondam os R$ 43 milhões anuais – €13 milhões. E é improvável que Lorenzo aceitasse menos que uma infinidade de dinheiro para trocar a casa por onde se formou no motociclismo, a Yamaha, por qualquer outra fábrica. Que dirá uma Ducati de motos vistas como indomáveis e que ficou quase cinco anos sem ganhar uma corrida sequer - e que não fatura um título desde 2007. Há mais na decisão do que apenas dinheiro, porém.

Existe um outro aspecto claro, o da rivalidade gritante entre Lorenzo e Valentino Rossi. Desafetos assumidos embora companheiros por muitos anos, os dois sempre se enfrentaram num jogo de gato e rato que, aparentemente, é mais significativo para o espanhol que para o italiano. Rossi, afinal, está na MotoGP há muito mais tempo e coleciona rivais que o detestam. Embora Lorenzo seja talvez o mais duro, é mais um. Lorenzo, uma pessoa de personalidade complicada, também tem outros desafetos no Mundial. Mas seu tempo ao lado de Rossi na disputa interna na Yamaha torna essa briga especial.

Para Lorenzo, vencer na Ducati é esfregar no rosto do mundo que ele conseguiu algo que Rossi não foi capaz: um título com a marca de Borgo Panigale. Os dois anos de Valentino na Ducati, 2011 e 2012, foram por uma Desmosedici que não mantinha qualquer chance de título. Rossi, substituindo Casey Stoner e ao lado do também rival Nicky Hayden, conseguiu apenas três pódios. Viu que estava num mato sem coelhos, que não conseguiria mudar o destino da marca italiana, e bateu de novo na porta da Yamaha.

Lorenzo agora tem a melhor oportunidade de tornar seu legado como piloto num colosso. E mais do que bater Rossi na 'Missão Ducati' – além de ficar bem mais rico -, o tricampeão mundial ainda pode escrever seu nome num rol bem limitado para pilotos na classe rainha do Mundial de Motovelocidade: o daqueles que foram capazes de comemorar título por equipes diferentes. Se conseguir, Lorenzo irá se tornar apenas o sexto piloto a emendar tal façanha.

 

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