A maldição Andretti

Mario Andretti venceu as 500 Milhas de Indianápolis em 1969 - a única vitória numa história de mais de 70 largadas que cinco membros da Primeira Família do automobilismo norte-americano deram no Brickyard. A mais famosa maldição do IMS

Pedro Henrique Marum, do Rio de Janeiro

Há uma lenda no automobilismo americano que dá conta de um azar crônico, uma desgraça em série para uma família que precede seus carros ou oportunidades. A maldição da Primeira Família do automobilismo dos Estados Unidos é bem documentada e chama a atenção. Entre cerca de 70 largadas, uma vitória quase 50 anos atrás.

Os esportes norte-americanos, aliás, são o maior reduto do mundo para as maldições. Claro que as mais famosas estão no beisebol, notoriamente na Maldição do Bambino - que 'fez' o Boston Red Sox ficar 86 anos sem um título - e na Maldição de Billy Goat – ‘responsável’ pela seca de títulos do Chicago Cubs que já dura 108 anos, mas há espaço para muito mais.

A história dos Andretti nas 500 Milhas de Indianápolis começa com o patriarca Mario. Campeão Mundial de F1, quatro vezes campeão da Indy, vencedor em Daytona, Mario Andretti foi o único que teve sua sorte no Brickyard. Ainda que momentânea. Em 1969, no que foi apenas a quinta de 29 participações. Foi uma bela vitória, diga-se, recuperando espaço depois de uma batida nos treinos que causou queimaduras fortes em seu rosto.

Antes de vencer, o azar já havia se manifestado. Andretti-pai largou na pole-position em 1966 e 1967, mas precisou abandonar por problemas numa válvula do motor e por perder uma das rodas, respectivamente. Nos anos seguintes, vários tipos diferentes de problema desde batidas a quebras cortaram suas chances. Em 1972, ficou sem combustível a seis voltas do fim; em 1975, deixou de correr o GP da Bélgica de F1 para participar, mas não foi muito longe ao se envolver numa batida.

Os anos 1980 chegaram dando a Mario uma chance de vencer. Na realidade, chegou a ser o vencedor por quatro meses em 1981. É que Bobby Unser foi quem recebeu a bandeira quadriculada, mas acabou punido um dia depois por fazer ultrapassagens sob bandeira amarela. Andretti, segundo colocado, herdou a vitória. Só que uma apelação feita por Roger Penske, então chefe de Unser, fez com que o triunfo fosse retornado a Bobby mais de 100 dias depois.

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