Cara de mau

Tommy Milton foi um pioneiro. Considerado uma lenda dos primeiros anos das competições de monopostos dos Estados Unidos, Milton venceu duas 500 Milhas de Indianápolis quando ninguém jamais havia feito. E um detalhe: tinha apenas um olho funcional

Pedro Henrique Marum, do Rio de Janeiro

Em 99 edições da história, obviamente vencedores se repetiram. AJ Foyt e Rick Mears venceram quatro provas cada um, por exemplo. Mas o que dizer de alguém que venceu a prova mais de uma vez com uma deficiência que o impediria até de dirigir na estrada nos tempos atuais? É a história de Tommy Milton, estampado no Troféu Borg-Warner pelas vitórias em 1921 e 1923.

Não é apenas que se tratou de um piloto que conseguiu, num dia de inspiração, vencer uma corrida importante. O olho esquerdo funcional de Milton viu várias vitórias durante a carreira. Um dos grandes pilotos dos Estados Unidos dos anos da Lei Seca, o piloto foi o campeão do campeonato da AAA, precursora da Indy, em 1920 e 1921.

Para vencer em 1921, Milton deu sorte. Então grande bicho papão da Indy 500, Ralph DePalma liderava a prova e rumava para sua segunda vitória com três voltas de vantagem. Só que um problema numa barra de ligação com pouco mais de metade da corrida acabou custando a participação. DePalma não voltaria à Indianápolis, mas deixava a prova com 612 voltas lideradas - um recorde que durou 67 anos.

Quando tomou controle, não perdeu mais. O então campeão da AAA ficou à frente do pelotão por 90 voltas depois de largar no 11º lugar e comemorou a vitória em sua terceira participação nas 500 Milhas. Não sem uma batalha antes com Roscoe Sarles. Sarles era mais rápido, e Milton sabia que precisava de algo diferente. Para assustar, ele moveu a traseira do carro para tocar a frente de Sarles quando ele tentou atacar. Funcionou, e Roscoe não tentou passar de novo.

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