Na bolha do tempo

Quando Jimmy Daywalt acelerou um carro inteiramente além de seu tempo para as 500 Milhas de Indianápolis de 1955, a tecnologia não o acompanhava. Apesar de mudado antes de ir à pista, aquele Kurtis-Offenhauser 500D foi o primeiro e único de cockpit fechado projetado para entrar na Indy 500

Pedro Henrique Marum, do Rio de Janeiro

Uma sequência de acidentes fatais acontecidos nos anos recentes, mesmo num momento que o automobilismo parece um mundo mais seguro que era em outros tempos, fez submergir com toda a força a discussão sobre o fechamento de cockpits em monopostos. A F1, inclusive, vai adotar algum tipo de proteção no ano que vem. Mas e nas 500 Milhas de Indianápolis? 100 edições é tempo o bastante para que qualquer tipo de projeto insano tenha entrado na baila, por que não esse? Acontece que já rolou. Pelo menos a ideia original.

Em 1955, a equipe de Chapman Root – herdeiro de uma grande companhia que fazia as garrafas da Coca-Cola - resolveu criar um carro 'edição especial'. Um chassi Kurtis-Kraft empurrado por um motor Offy - era um Kurtis-Offy 500 D de quatro cilindros - e montado de uma forma diferente de tudo que já havia sido visto. O Sumar Streamliner tinha a aparência de um protótipo muito mais que um monoposto tradicional. Em nada parecia os outros modelos na competição.

Não apenas o cockpit era fechado numa espécie de bolha, mas tinha painéis de carroceria pendurados de forma parecida com para-lamas em nome da concentração da aerodinâmica - era, em vários aspectos, uma espécie muito, muito antiga dos kits aerodinâmicos atuais. O piloto escolhido para guiar o carro foi Jimmy Daywalt, que já havia se classificado para duas Indy 500 antes. Foi sexto colocado em 1953 – ganhando o prêmio de Novato do Ano - e largou em segundo, mas abandonou em 1954.

E Daywalt assumiu o #48 para enfim andar com o projeto revolucionário. Após o primeiro teste - e 131 voltas - no Brickyard, notou que não conseguiria. A bolha do canopy fechado o fez sentir claustrofóbico. Diferente do que acontece hoje, em 1955 a proteção continha plástico comum que acabava recolhendo sujeiras que o encontrava. A visão estava completamente comprometida.

O piloto começou a retirar. Tirou a bolha, mas não parou por aí. Boa parte dos painéis também saíram, visto que o carro melhorou aerodinamicamente sem eles. Daywalt, conta a história, também se incomodou em não conseguir ver os pneus de seu carro. Por isso, arrancou as proteções. No final das contas, o carro ficou com a carroceria exposta, parecendo que estava realmente inacabado.

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