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Lado a Lado

O remédio e a doença na Red Bull

Equipe mais uma vez não esperou o término da temporada de Fórmula 1 para promover sua já conhecida troca de pilotos com a Toro Rosso. Mas o que o time quer ao substituir Pierre Gasly por Alexander Albon? O melhor para Max Verstappen está em jogo

O GRANDE PREMIUM já detalhou por estas páginas o que ficou conhecido como o "moedor de carne da Red Bull". Com uma habilidade ainda maior do que a de produzir grandes talentos, a equipe não viu problemas em mais uma vez trocar seus pilotos com a Toro Rosso, também sob o guarda-chuva, claro, da empresa de energéticos. Ainda que se combata a doença certa de falta de resultados expressivos, o remédio da vez foi promover o tailandês Alexander Albon ao lugar do francês Pierre Gasly.

O anúncio foi feito na última segunda-feira, em meio à pausa da temporada, sem que houvesse sequer uma especulação maior no paddock da F1. Nesses casos, o normal seria esperar pelo menos um burburinho maior no fim de semana das corridas. Pouquíssima coisa foi falada no GP da Hungria ainda que a notícia em si não chegue propriamente a causar espanto em que acompanha a categoria. No comunicado distribuído à imprensa, a Red Bull tentou se mostrar por cima de qualquer crise no caminho para o GP da Bélgica.

"A Red Bull está na posição única de ter quatro talentosos pilotos de F1 sob contrato, que podem ser utilizados tanto na equipe como na Toro Rosso. A equipe usará as próximas nove corridas para avaliar o desempenho de Alex, com o intuito de tomar uma decisão informada sobre quem conduzirá ao lado de Max em 2020", diz o texto.

Alexander Albon tem uma sexta colocação como melhor posição na carreira até aqui (Divulgação/Red Bull Content Pool)

Em seu segundo ano na categoria, Gasly é naturalmente mais experiente que Albon. A boa temporada de estreia na Toro Rosso, no entanto, não foi continuada na Red Bull. O entendimento é de que o francês passou muito tempo tentando fazer com que o carro fosse adaptado ao seu estilo de guiar quando tudo estava voltado, claro, para Max Verstappen. O holandês é inegavelmente quem de fato a equipe quer ver campeão mundial nos próximos anos e isso não será alterado no time de Christian Horner e Helmut Marko, a quem se atribui a pressão por tantas mudanças.

Albon, por isso, deve guiar o carro ao estilo de Verstappen. De nada adianta, o tailandês querer imprimir a sua pilotagem que terá vida curta na equipe. Não mais que as nove restantes no calendário deste ano. Ao menos por enquanto, ele demonstra maior consistência e ritmo em classificação. A impressão que deixou nas 12 corridas até aqui é que Albon pode oferecer mais constância e, quem sabe, ajudar a Red Bull a assumir a segunda colocação do Mundial, à frente da Ferrari.

Se o desempenho de Gasly não convence agora, pelo menos é melhor do que o apresentado no início do ano, aí sim muito muito distante de Verstappen. Nas primeiras quatro corridas do ano, uma oitava e uma sexta colocação e nada mais de útil para o campeão da GP2 de 2016. Já no GP da Inglaterra, demonstrou alguma evolução e conseguiu terminar na quarta posição. Ao todo, são 63 pontos somados, 118 a menos que seu companheiro, na sexta colocação do campeonato.

Pierre Gasly

#10 | França

Idade: 23 anos

Largadas: 38

Na F1 desde: 2018

Pódios: nenhum

Melhor colocação: 4º (2x)

Pontos na carreira: 92
(Divulgação/Red Bull Content Pool)

Alexander Albon

#23 | Tailândia

Idade: 23 anos

Largadas: 12

Na F1 desde: 2019

Pódios: nenhum

Melhor colocação: 6º (2x)

Pontos na carreira: 16
(Divulgação/Red Bull Content Pool)

O agora substituto Albon rapidamente conseguiu se destacar na temporada de estreia: primeiro sobre o companheiro Daniil Kvyat e depois com a consistência de quem foi sexto lugar no GP da Alemanha, prova em que o russo inclusive foi ao pódio — daí a diferença de 11 pontos entre eles. Ainda assim, o terceiro colocado da concorrida F2 do ano passado somou importantes 16 pontos na classificação geral, na 15ª colocação geral.

Diante de mais essa mudança de pilotos dentro da temporada, a Red Bull mostrou que pode até rasgar seu próprio programa de talentos em prol de um talento. Depois de Gasly, chegou a hora de Albon ser testado como companheiro de Verstappen em 2020.

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