Alonso x Vettel: os anos de Ferrari

Após quatro temporadas do alemão da equipe italiana, comparamos o desempenho dele justamente com o seu antecessor

Renan Martins Frade, de São Paulo

No último Paddock GP veio uma interessante pergunta do “amigo internauta”: quem foi melhor em quatros anos de Ferrari, Fernando Alonso ou Sebastian Vettel?

A questão é pertinente. Afinal, o alemão foi chamado justamente para substituir o espanhol na Scuderia, em uma tentativa de tirar o time de um jejum de títulos que vem desde 2007. Não que Alonso tenha feito um trabalho ruim por lá, muito pelo contrário, mas, indo além da personalidade do piloto espanhol, os italianos realmente acreditaram que o tetracampeão poderia ser uma aposta mais certeira.

No próprio programa, Gabriel Curty, da equipe do GRANDE PRÊMIO, respondeu à questão: Alonso foi melhor, principalmente quando olhamos o campeonato de 2010, no qual o bicampeão tirou leite de pedra de sua Ferrari para ser vice do próprio Vettel. Mas, como fica quando olhamos os números?

Vettel em um momento de comemoração, no GP da Bélgica de 2010
Ferrari

Alonso x Vettel: consolidado dos quatro primeiros anos de Ferrari

 

Alonso:

GPs: 78

Vitórias: 11

Pódios: 42

Pontos: 1.029

Melhor posição no campeonato de pilotos: vice-campeão (x3)


 

Vettel

GPs: 79*

Vitórias: 13*

Pódios: 43*

Pontos: 1.101*

Melhor posição no campeonato de pilotos: vice-campeão (x2)

* Ainda faltam duas provas para a conclusão da temporada 2018

Uma análise menos fria...

Nos pontos, vitórias e pódios, Vettel supera Alonso - ainda que os números sejam bastante próximos. Mas será que eles contam toda a verdade?

Quando chegou na Ferrari, Alonso encontrou um time que havia sofrido bastante em 2009, ficando apenas em quarto lugar no Mundial de Construtores após a mudança de regulamento que beneficiou bastante a Brawn GP, ex-Honda.

Também não podemos dizer que 2010 foi fácil para os italianos. Em um ano extremamente competitivo, a Ferrari ficou apenas em terceiro no campeonato. Ainda assim, Fernando foi muito superior ao então companheiro, Felipe Massa, e chegou na última etapa, em Abu Dhabi, liderando a disputa do Mundial de Pilotos. Foi essa a corrida na qual ele ficou trancado atrás da Renault de Vitaly Petrov, perdendo justamente o título para Vettel. Parece um resultado mediocre, mas foi muito para uma equipe que, no Mundial de Construtores, acabou mais uma vez na terceira posição.

O ano de 2011 foi para ser esquecido pelos italianos, com um amplo domínio de Vettel e da Red Bull, com a McLaren se colocando como uma distante segunda força. Ainda assim, Alonso conseguiu uma vitória, na Inglaterra. 

A temporada 2012 foi novamente equilibrada, permitindo que Fernando Alonso fizesse a diferença e liderasse o Mundial de Pilotos por bastante tempo. Porém, a Red Bull não só se encontrou a partir do meio do ano, como Vettel correspondeu e teve quatro vitórias seguidas – isso enquanto o espanhol perdeu pontos preciosos após acidentes na largada dos GPs da Bélgica e Japão.

De todos os anos de Ferrari, aquele foi o qual Alonso esteve mais próximo do campeonato, mesmo com um carro limitado nas mãos. O piloto teve mais que o dobro de pontos de Massa (278 a 122) - ainda que, como sabemos, a Ferrari corresse quase que exclusivamente para o bicampeão.  

Em 2013 a Ferrari viu o crescimento da Mercedes, que já ensaiava o domínio que teria nos anos seguintes. Para piorar, esse foi o ano de maior superioridade de Vettel na Red Bull, com o piloto conquistando 13 vitórias no caminho para o tetra. Alonso ficou com um distante vice, 155 pontos atrás do alemão. De qualquer forma, mais uma vez Fernando teve o dobro de pontos de Felipe (242 a 112).  

Alonso e Vettel dividindo o pódio do GP da Alemanha, em 2010
F1 / reprodução

Já do lado de Sebastian Vettel, o primeiro ano de Ferrari também foi de reconstrução. Os italianos vinham de um péssimo 2014, perdidos após a mudança de regulamento que introduziu as unidades de potência híbridas na F1. Ainda assim, o alemão teve três vitórias em 2015. Não lutou pelo título, é verdade, mas se colocou em terceiro em um Mundial de Pilotos que foi praticamente monopolizado por Lewis Hamilton. 

O que parecia um prenuncio de dias melhores para a Scuderia naufragou em 2016. A Ferrari se perdeu e, realmente, era difícil imaginar que qualquer piloto que conseguisse se aproximar da Mercedes naquelas condições, inclusive Alonso. Quem se colocou como uma distante segunda força naquelas condições foi a Red Bull, enquanto Hamilton e Nico Rosberg disputaram mais um título para a Mercedes - que, no final, ficou para Nico. 

As coisas evoluíram bastante em 2017. Com a mudança do regulamento na parte aerodinâmica e uma melhor evolução dos motores, a Ferrari encostou na Mercedes. A aposentadoria de Rosberg também facilitou um pouco as coisas, já que seu subtítuto, Valtteri Bottas, nunca esteve à altura do carro. Foram cinco vitórias para o Vettel no ano, chegando a liderar o campeonato, mas Hamilton foi muito mais consistente e conquistou o título de forma até que tranquila. 

Por fim, 2018 poderia representar uma virada nesse jogo. A Ferrari não só construiu um carro capaz de andar ao lado da Mercedes, mas que também chegou a superar as Flechas de Prata em alguns momentos - algo que não havia acontecido na passagem de Vettel pelo time. Também podemos dizer Alonso, em seus tempos vestindo vermelho, nunca teve um carro que fosse superior ao resto do grid.

Era o ano para ser campeão, certo? Bom, como você sabe, não foi...

Como já analisamos aqui no GRANDE PREMIUM, Ferrari e Vettel sucumbiram aos seus próprios erros. Ainda que Lewis Hamilton esteja em grande forma, esta poderia ser ao menos uma disputa mais acirrada: o inglês chegou ao penta com duas provas de antecedência.  Pela primeira vez desde 2008 podemos falar que a Ferrari perdeu um título. 

Vettel ainda pode ser maior do que Alonso foi na Ferrari? É possível. Apesar da chance perdida em 2018, os italianos devem chegar mais uma vez com um grande carro em 2019. A quinta e última temporada de Fernando no time de Maranello foi para esquecer, enquanto Sebastian provavelmente dependerá só de si e da equipe para ser pentacampeão. 

Agora, se o alemão não conseguir, certamente ficará relegado a uma posição atrás do espanhol no panteão de pilotos na história da tradicional Scuderia Ferrari...