As pilotas da Fórmula 1

Jamie Chadwick e Tatiana Calderón seguem envolvidas com a categoria em 2020. Enquanto a inglesa é pilota de testes da Williams, a colombiana assume a função de desenvolvimento da Alfa Romeo, e o Grande Premium aproveitou para colocá-las lado a lado

Nathalia De Vivo, de São Paulo

Apesar do crescente número de mulheres no esporte a motor nos últimos anos, ainda não é muito comum vê-las nas categorias mais tradicionais hoje em dia. Entretanto, aos poucos o cenário do esporte tem mudado, e a Fórmula 1 já caminha para essa notável revolução.

Neste campeonato, dois times vão contar com reforços de pilotas para o desenvolvimento dos carros. Enquanto a Alfa Romeo aposta na Tatiana Calderón por mais um ano, a Williams segue com Jamie Chadwick fazendo parte do quadro de funcionários.

Apesar de funções distintas – a colombiana é pilota de testes e a inglesa assume o papel de desenvolvimento, ambas mostram a abertura da F1 com as mulheres. E não são apenas os dois times que começam a olhar por esse lado, já que a Ferrari apontou o desejo de abrir a Academia de Pilotos para as garotas no futuro.

Com duas competidoras com um pé dentro da principal categoria do automobilismo mundial, o GRANDE PREMIUM então as colocou lado a lado para ver suas trajetórias e analisar o momento atual da carreira de cada uma.

Tatiana Calderón
Idade: 26 anos
Equipe: Alfa Romeo
Função: Pilota de testes e embaixadora do time
Temporada na F1: 4º
Categorias em que já correu: Star Mazda, F3 Open Europeia, F3 Europeia, F3 Britânica, Euroformula Open, GP3, Fórmula 2
Poles: 0
Pódios: 11
Vitórias: 2
Títulos: 0
Pontos na superlicença: 0

Após competir no kart e em competições colombianas, Tata, como também é conhecida, foi para os Estados Unidos. Correu dois anos na Star Mazda, que faz parte do Road to Indy, onde conseguiu dois pódios. Entretanto, quando surgiu a oportunidade da Indy Lights, declinou a oferta por não querer disputar em ovais.

Então, em 2012, chegou a correr na F3 Open Europeia, terminando o ano em nona na classificação. Ainda, correu as 6 Horas de Bogotá, terminando na terceira colocação geral e no segundo posto da classe inscrita.

Calderón também tem recordes para chamar de seus. Quando competiu na F3 Britânica Internacional, tornou-se a primeira mulher a conseguir um pódio na categoria ao ser terceira em Nürburgring. Em 2017, tornou-se a primeira, e única, pilota a conseguir um top-3 na World Series, terminando em terceira no Bahrein.

A colombiana também teve uma mentora bastante experiente lhe auxiliando. A partir de 2014, Susie Wolff passou a acompanhar a competidora que, nesse mesmo ano, também foi a primeira mulher a disputar o GP de Macau em 31 anos.

Em sua carreira, também foi a primeira mulher a liderar uma prova da F3 Europeia, além de ter sido vice-campeã da MRF Challenge F2000. Sua passagem pelas categorias de base na Fórmula 1 foram sem brilho, com um 16º lugar na GP3 como melhor resultado. Na Fórmula 2, foi a primeira mulher na categoria.

Mas agora sem espaço para 2020 no certame intermediário, vai correr a Super Fórmula, no Japão, além de fazer trio com time totalmente feminino na European Le Mans Series ao lado de Sophia Flörsch e Katherine Legge.

Em seus quatro anos com a Alfa Romeo, a colombiana comandou três vezes um carro de F1. A primeira foi em um teste no México, depois indo a Fiorano em 2018. Depois, participou de uma sessão de treinos em Paul Ricardo, em 2019.

Jamie Chadwick
Idade: 21 anos
Equipe: Williams
Função: Pilota de desenvolvimento
Temporada na F1: 2ª
Categorias em que já correu: Campeonato Britânico de GT, Campeonato Ginetta Junior, F3 Britânica BRDC, MRF Challenge F2000, W Series, F3 Asiática
Poles: 3
Pódios: 38
Vitórias: 11
Títulos: 3 – Britânico de GT, MRF Challenge F2000, W Series
Pontos na superlicença: 10

Chadwick é jovem na idade, mas tem currículo de gente grande. Por todas as categorias que passou conseguiu ao menos uma vitória ou um pódio – os números, para quem tem apenas 21 anos, são de impressionar.

Em sua bagagem, carrega alguns grandes recorder. Durante sua passagem pelo Campeonato Britânico de GT, competindo na classe GT4, conseguiu vencer duas vezes, inclusive as 24 Horas de Silverstone. Isso a tornou a primeira mulher e pilota mais jovem a triunfar na categoria.

Mas isso não é tudo para a inglesa. Ainda sustenta a marca de ser a primeira mulher a vencer uma corrida da Fórmula 3 Britânica BRDC, além de ser a primeira mulher a sagra-se campeã da MRF Challenge F2000, categoria que disputou em 2018/19.

Assinando com a W Series, os resultados não pararam de aparecer. Competindo em alto nível contra as rivais, conseguiu ser a primeira campeã da história da categoria. Suas credenciais, obviamente, a qualificaram para não só assumir como pilota de testes da Williams pelo segundo ano consecutivo, mas ainda ter participado do teste de novatos da Fórmula E por três vezes – duas com a NIO e uma com a Jaguar.

Como se já não fosse o suficiente, Jamie também está próxima de conseguir ao menos o direito de pilotar um F1 em treino livre. O motivo é que, ao terminar a F3 Asiática na quarta colocação, conseguiu seus primeiros dez pontos na superlicença. Para participar de um ensaio, são necessário 25 – os 15 pontos restantes podem ser conquistados caso seja campeã da W Series em 2020.