Os brasileiros da F2 sob testes

Pedro Piquet, Felipe Drugovich e Guilherme Samaia tiveram no início da semana, no Bahrein, primeiro contato com a categoria que estreiam neste ano. E, ainda que equipes estivessem mais preocupadas em trabalhar com o pneu de aro 18, eles mostraram bons resultados

André Avelar, São Paulo

Bons resultados em testes de pré-temporada não precisam necessariamente empolgar muita gente no mundo do automobilismo. O contrário, por exemplo, é muito mais preocupante para uma equipe que busca alguma coisa ao final do campeonato. Cientes de que não estão nem lá, nem cá no turbilhão de acontecimentos que envolve a Fórmula 2, os brasileiros mostraram serviço na atividade realizada de domingo até a última terça-feira (3), no circuito de Sakhir, no Bahrein. Pedro Piquet, Felipe Drugovich e Guilherme Samaia serão as caras do país no dito último degrau antes de chegar à Fórmula 1.

Além do fato de serem brasileiros, os três são rookies, como são chamados os novatos, no grid que tem 22 pilotos. Sérgio Sette Câmara, que terminou o ano passado na quarta colocação, conquistou os pontos que faltavam para a sua superlicença e, depois de três anos, deixou a categoria — ele, que já havia feito testes com a Carlin na Indy, assinou como piloto reserva e de teste da Dragon na Fórmula E; paralelo a isso, mantém o trabalho limitado no simulador da McLaren.

Em muito pelo sobrenome, o filho do tricampeão mundial Nelson Piquet é, claro, o mais conhecido do grande público. O curioso é que ele não estará sozinho no quesito sobrenomes famosos, já que Giuliano Alesi (filho de Jean Alesi) e Mick Schumacher (filho de Michael Schumacher) também estão no páreo. Mas claro que Pedro teve seus próprios méritos para assinar com a Charouz e subir de categoria. Em seu primeiro ano na Fórmula 3 Internacional, ele terminou na quinta colocação, com direito a uma vitória na corrida 1 do GP da Bélgica.

PEDRO PIQUET

#12

Equipe: Charouz Racing System

Companheiro de equipe: Louis Delétraz (SUI)


Nascimento: Brasília (DF), em 3/7/1998

Peso: 71 kg

Altura: 1,78 m

FELIPE DRUGOVICH

#15

Equipe: MP Motorsport

Companheiro de equipe: Nobuharu Matsushita (JAP)

Nascimento: Maringá (PR), em 23/5/2000

Peso: 71 kg

Altura: 1,75 m

GUILHERME SAMAIA

#10

Equipe: Campos


Companheiro de equipe: Jack Aitken (ING)

Nascimento: São Paulo (SP), em 2/10/1996

 

Nos testes de pré-temporada, mostrou sua velocidade logo de cara com o tempo mais rápido do primeiro dia (1min41s877). Ainda que não se saiba exatamente o que foi testado, mostrou novamente seu valor no dia seguinte, com o terceiro tempo (1min41s491) e fechou o último dia com a 11ª colocação (1min42s027), sempre na frente do companheiro Louis Delétraz, da Suíça. Em uma postagem nas redes sociais, Pedro já havia explicado que boa parte do trabalho seria para entender o comportamento do carro com os pneus com aro 18, novidade na categoria a partir deste ano e que estarão na F1 em 2021, em substituição aos de aro 13.

Drugovich, que assim como Pedro, disputou a classe internacional da F3 no ano passado, com uma sexta colocação na corrida 1 do GP da Hungira como melhor resultado, correrá pela MP este ano. Drugovich foi 17º no primeiro dia (1min43s001), mas se recuperou e foi nono (1min41s807) e segundo mais rápido (1min41324) nos dias seguintes, quando chegou perto e até bateu o seu companheiro o Nobuharu Matsushita, do Japão, piloto de boa relação com a Honda.

Último dos brasileiros a confirmar sua vaga para a F3, pela Campos, Samaia terá o inglês Jack Aitken, quinto colocado no ano passado, hoje piloto reserva da Williams. Samaia, campeão da F3 Brasil em 2017, estava na Euroformula Open no ano passado. Em suas atividades no Bahrein, figurou entre as últimas posições nos dois primeiros dias (com os tempos de 1min45s649 e 1min44s039) e fechou a atividade com uma convincente 13ª posição (1min42s399) ainda que seu companheiro estivesse na parte de cima da tabela.

Ao todo, Pedro, Drugovich e Samaia deram respectivamente as suas primeiras 178, 178 e 147 voltas na F2, com pista molhada e suja pela poeira da areia do deserto. Mais do que o tempo de classificação em si, a quilometragem adquirida pelos novatos foi de grande valia. Como as próprias equipes trabalham diferentes aspectos dos carros, os resultados internos são muito mais importantes para os brasileiros. Também por isso, pouco se pode prever do futuro em uma categoria tão dinâmica.

Se George Russell, Lando Norris e Alex Albon, os três primeiros colocados em 2018, subiram para a F1 no ano seguinte; em 2019, o campeão Nick de Vries não teve a mesma sorte. Diante desse quadro, os resultados vão muito além do que será feito nas em 12 etapas. A abertura do campeonato está prevista para o fim de semana de 20 a 22 de março, também no Bahrein.

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