Os grandes anos da Toro Rosso

O nome Toro Rosso deixa a Fórmula 1 após o GP de Abu Dhabi. O Lado a Lado desta semana compara 2008 e 2019, as principais temporadas da equipe satélite da Red Bull, que vira AlphaTauri em 2020

Gabriel Carvalho, de Campinas

Um nome que virou tradicional na Fórmula 1 fará sua despedida em Abu Dhabi. A Scuderia Toro Rosso atenderá pelo nome de AlphaTauri a partir de 2020. A mudança é uma estratégia de marketing buscando popularizar a nova marca de roupas da companhia austríaca de energéticos.

Desde que tomou as operações da Minardi, em 2006, a Toro Rosso viu diversos bons nomes do automobilismo passarem por seu cockpit. No Lado a Lado de hoje, resolvemos comparar as duas principais temporadas do time: 2008 e 2019.

2008

Assim como na época da Minardi, a Toro Rosso encarou dificuldades em suas primeiras temporadas, somando 1 ponto em seu ano de estreia, mas a situação começou a melhorar no fim de 2007, quando um tal de Sebastian Vettel, aos 20 anos de idade, foi contratado, e conseguiu um heróico quarto lugar na China (mesma corrida em que Vitoantonio Liuzzi emplacou a sexta posição), que colocou o time à frente de Honda, Super Aguri e Spyker na classificação final.

No ano seguinte, o prospecto Vettel foi mantido e ganhou a companhia de Sébastien Bourdais, que empilhou quatro títulos seguidos na Champ Car. O início de temporada foi um pouco complicado, com o jovem alemão tirando tempos do carro aqui e ali, mas se envolvendo constantemente em acidentes. Bourdais não tinha o ritmo ideal ainda.

Os primeiros pontos vieram em Mônaco, e já chutando a porta. Quinto lugar de Vettel nas ruas do principado. Na corrida seguinte, no Canadá, oitavo lugar saindo da penúltima posição, A colocação final foi repetida pelo jovem na Alemanha, enquanto Bourdais seguia com dificuldades.

O GP da Europa, em Valência, foi a primeira oportunidade na história com os dois carros no Q3. Vettel foi sexto na corrida, e Bourdais apenas em 10º, sem poder pontuar. Na Bélgica, finalmente a dupla pontuou na mesma prova. O alemão foi quinto, e o veterano terminou em um amargo sétimo lugar. Qual o motivo da amargura nos primeiros pontos na F1? Era terceiro na última volta, mas carros com pneus de chuva o ultrapassaram na longa volta em Spa.

O crème de la crème veio na Itália. Com chuva, Vettel anotou uma histórica pole-position, enquanto Bourdais alinhou na quarta posição. Sebastian liderou quase todas as voltas e se tornou o mais jovem piloto a vencer na F1. O companheiro ficou parado na volta de apresentação, largou de último e foi 18º.

Em Singapura e no Japão, mais dois resultados fortes para Vettel, terminando em quinto e sexto. Bourdais chegou a liderar em Fuji e terminaria no sexto lugar, mas uma punição por um acidente com Felipe Massa o jogou para 10º. A China teve novamente a dupla no Q3, mas fora dos pontos na corrida, enquanto Vettel brilhou na etapa final, no Brasil, terminando no quarto lugar.

Corridas: 18
Vitórias: 1
Pódios: 1
Poles: 1
Pontos: 39 (com a pontuação atual, 104)
Idas ao Q3: 16
Sebastian Vettel conquistou a única vitória da história da Toro Rosso, mas vai que em Abu Dhabi...
Foto: Reprodução

2019

Após um 2018 de adaptação ao motor Honda e com a penúltima posição entre os construtores, Daniil Kvyat retornou após um ano de hiato e Alexander Albon, destaque da F2, foi contratado quase de última hora, já que tinha acertado com a Nissan para correr na F-E. A estreia na Austrália foi modesta, mas com 1 ponto do russo, enquanto o anglo-tailandês somou 2 no Bahrein, os seus primeiros na Fórmula 1.

Albon conquistou o 10º lugar na China largando do pit-lane. Kvyat trouxe 2 pontos na Espanha. A dupla ficou junta no top-10 pela primeira vez em Mônaco, com Daniil em sétimo e Alex em oitavo. O russo ficou em décimo no Canadá e em nono na Inglaterra.

O grande momento da dupla veio no GP da Alemanha. Com chuva, Albon chegou a ficar no top-3 em alguns momentos, mas terminou em sexto, seu melhor resultado na equipe. Kvyat foi melhor ainda, assegurando um incrível terceiro lugar. O primeiro pódio do time desde a histórica vitória em Monza. Alex somou mais 1 ponto na Hungria, e se despediu do time, já que foi promovido para a Red Bull enquanto Pierre Gasly foi rebaixado.

Logo na Bélgica, pontos duplos para a nova dupla, com Kvyat em sétimo e Gasly em nono, resultado que o francês repetiria em Singapura. Antes disso, uma corrida desastrosa na Itália, com o #26 quebrando e o #10 se envolvendo em acidente ainda no início, prejudicando suas chances de bom resultado. No Japão, casa da Honda, novamente os dois foram ao top-10, mas com Pierre em sétimo e Daniil em décimo.

Nono no México, Gasly fez história com o segundo lugar no Brasil, superando Lewis Hamilton na linha de chegada em uma corrida de ritmo forte o tempo inteiro, mesma prova em que Kvyat ficou com a 10ª posição.

 

Corridas: 20

Vitórias: 0

Pódios: 2

Poles: 1

Pontos: 83

Idas ao Q3: 11

Daniil Kvyat conquistou o primeiro pódio da Toro Rosso desde 2008
Foto: Reprodução