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Quem são os novos diretores de prova da Fórmula 1

A FIA anunciou a saída de Michael Masi do cargo de diretor de prova da Fórmula 1 e uma nova estrutura, com Niels Wittich, Eduardo Freitas e Herbie Blash. Quem são eles?

Eduardo Freitas vai se revezar com Niels Wittich como diretor de prova da F1 (Foto: WEC)
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A FIA confirmou a saída do australiano Michael Masi do cargo de diretor de prova da Fórmula 1, em estrutura que vai passar por alterações visando à temporada de 2022. Após os eventos polêmicos na última etapa de 2021, em Abu Dhabi, quando Masi acabou ficando exposto e todas as consequências da decisão caíram em seu colo, a F1 terá dois diretores se alternando este ano — Niels Wittich e Eduardo Freitas —, com direito a um conselheiro-sênior permanente, que atende pelo nome de Herbie Blash.

Mas quem são Wittich, Freitas e Blash? Três personagens com longos históricos no automobilismo e experientes em diversas modalidades, as figuras também possuem sua cota de polêmicas. Mas quem são eles?

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Niels Wittich deixou o DTM ao final de 2021 e vai integrar a Fórmula 1 a partir deste ano (Foto: FIA Fórmula 3)

Niels Wittich

O alemão Wittich já estava programado para se mudar à Fórmula 1 em 2022, mas em posição diferente à qual acabou indicado. Diretor de prova do DTM (campeonato alemão de turismo) até o final de 2021, Niels estaria de mudança à maior categoria do automobilismo mundial em papel de apoio a Michael Masi.

No entanto, a polêmica tomou conta do encerramento da temporada 2021 e causou a saída de Masi. Assim, Wittich assume o cargo como titular e vai alternar os finais de semana com Freitas. Além da Fórmula 1, o alemão também será diretor de prova das duas categorias de base da modalidade, Fórmula 2 e Fórmula 3.

Wittich possui experiência na Fórmula 1, já tendo trabalhado como suporte ao diretor de prova em corridas anteriores na categoria. A partir de 2022, assume o posto de vez após anunciar ainda em novembro que procurava “novas responsabilidades” junto à FIA.

Por fim, enquanto trabalhava como diretor do DTM, Wittich já expressou mais de uma vez sua convicção de que as corridas precisam ser “duras, porém justas”. Assim, ações mais enérgicas — principalmente em casos de acidentes entre pilotos — são esperadas do novo diretor, em contraste ao “deixe-os correr” que virou lema com Masi.

Decisões de Eduardo Freitas geraram polêmica na final do WEC (Foto: WEC)

Eduardo Freitas

O português Eduardo Freitas, por sua vez, possui uma caminhada diferente de Wittich. Freitas começou ainda como mecânico de motociclismo antes de migrar definitivamente à competição de monopostos na década de 1980. Assim, se tornou fiscal de pista nos campeonatos de kart, antes de virar diretor de prova na categoria.

Em 2002, o português deu um passo à frente na carreira e foi chamado para atuar como diretor de prova no FIA GT — torneio de nível europeu organizado pela SRO, mesma entidade que comanda as 24 Horas de Spa, por exemplo — e o ETCC, o Europeu de Turismo.

Com sete anos de experiência no cargo, Freitas foi promovido a diretor de prova do FIA GT1 — de classe mundial — a partir de 2009. Também participou de competições como Le Mans Series Asiática e Europeia, além da Fórmula 3 da Ásia.

Finalmente, em 2012, Freitas deu o último passo na carreira antes de subir à Fórmula 1: se tornou diretor de prova no WEC, o Campeonato Mundial de Endurance da FIA. Com 20 anos de experiência no cargo, Eduardo enfim chega à F1 para tentar encerrar de vez as polêmicas em torno de vereditos da entidade em momentos de decisões rápidas na categoria.

E foi durante sua experiência no WEC que Freitas viveu a principal polêmica da carreira — justamente na última temporada, em caso que foi comparado a Abu Dhabi pelo fato de também envolver um desvio do regulamento.

Na ocasião, Alessandro Pier Guidi acertou a traseira da Porsche de Michael Christensen com sua Ferrari, na última etapa da temporada, as 8 Horas do Bahrein. O italiano assumiu a liderança com o movimento, que fez o dinamarquês rodar. Em uma decisão inesperada, a direção de prova comandada por Freitas decidiu ordenar que o piloto da Ferrari devolvesse a posição — ao invés de um drive-through, punição mais comum em casos do tipo.

Pier Guidi desacelerou o carro para que Christensen pudesse retomar a liderança, mas o dinamarquês optou por ir aos boxes, em movimento que foi seguido pelo italiano. O inacreditável aconteceu e Alessandro simplesmente não devolveu mais a posição, em decisão que foi retirada mas não comunicada oficialmente ao público.

Por fim, toda a decisão sobre a situação controversa levou pouco menos de dois minutos, o que aumentou ainda mais a polêmica sobre se a situação foi estudada corretamente pelos comissários — que deveriam dar o veredito neste tipo de situação, de acordo com o próprio Código da FIA.

A intenção com a contratação de Freitas é de também dividir responsabilidades com Wittich, para que a pressão exercida sobre Masi não se repita na temporada de 2022. E um personagem fundamental nesse processo será justamente Blash, o terceiro envolvido na nova estrutura da FIA — e o único que vai trabalhar com ambos.

Com passado extenso na F1, Herbie Blash está de volta em 2022 (Foto: Reprodução/Twitter)

Herbie Blash

Entre os três nomes apontados pelo presidente da FIA, Mohammed Bem Sulayem, para a nova estrutura de direção de prova da Fórmula 1, Blash é certamente aquele que possui maior experiência no cenário da categoria.

O britânico, atualmente com 73 anos, teve início no automobilismo de forma semelhante a Freitas: como mecânico, na década de 1960. Trabalhou com Graham Hill na Lotus e Frank Williams na equipe de Grove, antes de se tornar chefe da Brabham em 1973 e trabalhar ao lado de nomes como Bernie Ecclestone e Gordon Murray — em cargo que ocupou durante 15 anos.

Em 1995, entretanto, iniciou-se o grande destaque da carreira de Blash. O britânico serviu como braço-direito do então diretor de prova da Fórmula 1, Charlie Whiting, em parceria que durou até 2016, quando o britânico deixou a categoria para se dedicar a um cargo de consultor da Yamaha.

A partir de 2022, Blash assume um novo cargo na Fórmula 1, pela primeira vez sem o amigo Whiting — que morreu devido a uma embolia pulmonar em 2019 —, para servir como conselheiro-sênior permanente e utilizar a experiência para ajudar Wittich ou Freitas — dependendo do final de semana — a encontrarem a melhor decisão sem repetir o caos que tomou conta de Yas Marina no final de 2021.

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