Um piloto. Dois momentos

Às vésperas da sexta etapa da temporada, Jorge Lorenzo ainda tenta se adaptar à Honda. Após rumores de um divórcio precoce com a montadora da asa dourada, o GRANDE PREMIUM colocou lado a lado o início da caminhada do #99 com a RC213V e com a Ducati

Juliana Tesser, de São Paulo

A notícia do ano no 2018 da MotoGP foi uma só: a contratação de Jorge Lorenzo pela Honda. Depois de uma empreitada razoavelmente frustrada com a Ducati ― já que o espanhol foi contratado para levar o título da classe rainha de volta a Borgo Panigale pela primeira vez desde 2007 ―, o espanhol parecia caminhar para fora do grid pela porta dos fundos, mas, num raro segredo bem guardado no paddock, surpreendeu ao ser anunciado pela Honda como companheiro de Marc Márquez com um contrato de dois anos.

A formação daquele que foi imediatamente rotulado de ‘time dos sonhos’ causou sentimentos conflitantes. Num primeiro momento, era fácil se animar com a parceria entre Márquez e Lorenzo, muito embora a expectativa por um conflito entre os espanhóis também fosse taxada como questão de tempo. No entanto, existia também um temor pelo efeito que um time tão forte teria na competitividade da MotoGP.

A principal preocupação era de que a Honda passasse a dominar a MotoGP com tranquilidade ― ou com mais tranquilidade do que acontece só com Márquez. Mas, passado cerca de ¼ do campeonato deste ano, a situação é bastante diferente.

Até aqui, a briga pelo pódio tem sido um sonho distante, com Lorenzo tendo conquistado seu melhor resultado com a Honda apenas Le Mans, quando recebeu a bandeirada em 11º. A primeira fila, por sua vez, não tem sido mais do que uma miragem para o piloto de Palma de Maiorca, que conseguiu como sua melhor posição de grid o oitavo lugar também do GP da França.

Passagem pela Ducati não saiu como esperado
(Foto: Ducati)

É preciso destacar, porém, que Lorenzo não teve um caminho fácil nesta temporada de estreia com a fábrica de Hamamatsu. No fim de janeiro, Jorge teve de passar por uma cirurgia após fraturar o escafoide da mão esquerda durante uma sessão de treinos em uma pista de terra

A lesão fez com que Lorenzo perdesse a primeira bateria de testes da pré-temporada com a RC213V, o que acabou por afetar o processo de adaptação. Mas não foi só isso. Ainda no Catar, palco da prova de abertura do campeonato, Jorge sofreu uma queda no TL3 e acabou diagnosticado com uma fissura de costela.

Com o tempo, a situação física foi melhorando, mas a fratura no escafoide tem um processo de consolidação mais longo, o que acaba de impedir Lorenzo de fazer certos movimentos. Especialmente na hora dos treinos de força dos membros superiores.

Em um cenário com este, o GRANDE PREMIUM colocou lado a lado as primeiras cinco corridas de Lorenzo com Honda e Ducati. E os números mostram que, apesar da decepção da cúpula do time de Bolonha, a estreia com a Desmosedici foi melhor.

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A título de curiosidade, boa mesmo foi a estreia com a Yamaha, em 2008. Apesar de Lorenzo ter sofrido muitas quedas e lesões em seu ano de estreia, o então #48 somou três poles nas primeiras cinco corridas ― nos GPs do Catar, da Espanha e de Portugal ― e conquistou cinco pódios neste mesmo intervalo de tempo, inclusive uma vitória no Estoril, onde disputou apenas sua terceira corrida na divisão principal.

Apesar dos muitos rumores de um divórcio precoce que ganharam vida em Le Mans, Lorenzo e a Honda já negaram o ultimato e o piloto, mesmo reconhecendo que encara um desafio e tanto, garante que seguirá empenhado para vencer por três montadores diferentes na MotoGP.

Na Ducati deu certo. Na Honda, só o tempo dirá.