As notas do GP do Canadá de 2019

O GP do Canadá ganhou manchetes pela polêmica punição a Sebastian Vettel, mas também há espaço para o desempenho de cada piloto. Daniel Ricciardo foi considerado o melhor piloto do dia, superando até mesmo os dois protagonistas na luta pela vitória

Pedro Henrique Marum, do Rio de Janeiro,
Vitor Fazio, de Berlim &
Gabriel Curty, de São Paulo

O GP do Canadá, apesar de não ser o mais empolgante do ano, rendeu muito assunto. A punição aplicada a Sebastian Vettel, deixando a vitória com Lewis Hamilton, tomou conta do noticiário e deixou em segundo plano a análise do desempenho dos pilotos. Ao menos até aqui: chegou a hora de o Ranking GP avaliar atuações individuais em Montreal.

Foi difícil apontar quem teve o melhor desempenho no Canadá – os pilotos de ponta não foram, de um jeito ou de outro, tão brilhantes assim. Desse jeito, aconteceu algo inédito em 2019: o piloto com a melhor nota não foi alguém das três equipes de ponta – Daniel Ricciardo, com 8.5, foi considerado o melhor do dia.

Hamilton e Vettel, ambos com nota 8.0, completaram o pódio. A dupla teve atuação elogiável, mas longe de perfeita ao longo do fim de semana em Montreal.

No outro extremo, alguns pilotos tiveram dias para esquecer. Valtteri Bottas e Pierre Gasly são dois exemplos disso. Mas ninguém chegou ao nível de Kevin Magnussen: seja por bater na classificação, por não chegar a lugar nenhum na corrida ou por discutir no rádio, o dinamarquês teve a pior atuação e recebeu a nota 2.0.

As notas do Ranking GP são calculadas através de avaliações de Gabriel Curty, Pedro Henrique Marum e Vitor Fazio, do GRANDE PREMIUM.

Lewis Hamilton
AFP

1º) Lewis Hamilton – 8.0 – Fez o dever de casa. Mesmo sem ter claramente o melhor carro do fim de semana, o britânico encontrou ritmo para pressionar Vettel e forçar um erro. Por mais que muita gente diga que não foi uma vitória merecida, é certamente um passo importante na luta pelo hexa.

2º) Sebastian Vettel – 8.0 – Renasceu com uma atuação das mais convincentes dos últimos 12 meses. Fez pole e bateu de frente com a Mercedes. Por mais que o alemão tenha errado no lance que originou a punição e a perda da vitória, não dá para ignorar o ritmo forte em Montreal.

3º) Charles Leclerc – 7.0 – Fez uma corrida boa, mas longe de brilhante. O monegasco, mesmo sem chegar a ponto de sonhar com a vitória, conseguiu algo importante: um fim de semana livre de erros ou problemas. Foi recompensado com um pódio, superando Bottas.

Max Verstappen
Red Bull Content Pool

4º) Valtteri Bottas – 4.0 – Parece ter corrido no Canadá com sua versão 2018. O finlandês foi apático e errático, como visto no Q3. No domingo, ficou fora do pódio e viu nova vitória de Hamilton. A luta pelo título sofreu duro golpe, e dessa vez por culpa própria.

5º) Max Verstappen – 7.0 – Fez o que dava depois do azar do treino classificatório. Com uma Red Bull que esteve particularmente mal, o holandês ganhou algumas posições e assegurou pontos importantes. Mesmo assim, longe de ter atuação antológica.

6º) Daniel Ricciardo – 8.5 – Entregou o tipo de atuação que tanto se esperava antes da temporada: liderando o pelotão intermediário e brigando contra carros mais rápidos. A atuação no treino classificatório foi convincente, mas a corrida com briga com Bottas e resultado melhor que o de Gasly foi a cereja no bolo.

7º) Nico Hülkenberg – 8.0 – Fez tudo que Ricciardo fez, menos a classificação exuberante. O ritmo do alemão foi muito bom e provavelmente seria suficiente para ser sexto – a Renault interviu com ordens de equipe, deixando o australiano na frente. Mesmo assim, basta para ir na onda do bom momento da equipe.

8º) Pierre Gasly – 4.5 – Melhorou nas últimas semanas, mas aparentou ter voltado à estaca zero no Canadá. O francês voltou a ter ritmo consideravelmente pior do que o de Verstappen e, de quebra, teve uma estratégia que não funcionou – o francês parou cedo demais e ficou preso atrás de Stroll na maior parte do tempo. Uma pena, mas não serve como desculpa.

9º) Lance Stroll – 7.5 – O destaque esquecido da corrida. Eliminado no Q1, o canadense fez funcionar uma estratégia ousada, adiando a parada o máximo possível e cuidando muito bem dos pneus duros. Os pontos, assim como uma rara corrida à frente de Pérez, foram uma recompensa merecida.

10º) Daniil Kvyat – 7.0 – Fez o feijão com arroz e capitalizou. O russo teve ritmo decente desde o começo, passando a maior parte do tempo em vias de entrar na zona de pontos – mas sem de fato conseguir. Isso até finalmente passar Sainz nas últimas voltas.

Largada para o GP do Canadá
AFP

11º) Carlos Sainz Jr. – 6.5 – Parecia forte candidato aos pontos, mas viu tudo começar a dar errado com um pit emergencial na volta 4 para limpar os dutos de freio. A estratégia de uma parada só chegou perto de funcionar, mas o alto desgaste e a alta quilometragem cobraram seus preços no final.

12º) Sergio Pérez – 5.5 – Fez uma estratégia mais convencional do que o companheiro Stroll e não chegou a lugar nenhum. Apesar de momentos de bravura, como a ultrapassagem forçada sobre Grosjean, o mexicano simplesmente não teve ritmo – outra vez – para escalar o pelotão.

13º) Antonio Giovinazzi – 5.0 – Teve um resultado relativamente bom, mas ainda está longe de encher os olhos. O italiano rodou sozinho durante a corrida, por exemplo. Mesmo sem pontuar, fica o lado positivo de superar Räikkönen.

14º) Romain Grosjean – 5.5 – Teve o azar tremendo de ver Magnussen bater antes de fechar volta no Q2, mas não conseguiu reagir de jeito nenhum durante a corrida. O francês ficou entalado na parte de trás do pelotão intermediário em mais uma atuação pouco empolgante.

15º) Kimi Räikkönen – 4.0 – Foi medíocre. O finlandês parece ter afundado junto com a Alfa Romeo e não fez muito no Canadá. Giovinazzi, mesmo rodando, terminou na frente. Essa é a dimensão do fim de semana fraco.

Alexander Albon
Red Bull Content Pool

16º) George Russell – 6.5 – Voltou a fazer o que dá com uma Williams das mais limitadas. Dessa vez, a vitória sobre Kubica veio acompanhada de uma sobre Magnussen, que veio atrás.

17º) Kevin Magnussen – 2.0 – Bateu de jeito tosco na classificação e causou discórdia na corrida. Com carro remendado no domingo, nada fez. O dinamarquês, muito longe de ter uma temporada empolgante, voltou a ser o protagonista de um fim de semana de pontos desperdiçados na Haas.

18º) Robert Kubica – 4.5 – O que dizer? Ficou andando em último o tempo todo, novamente levando pau de Russell. É verdade que o carro da Williams é fraco, mas o polonês segue devendo no ritmo, tanto em classificação quanto em corrida.

NC – Alexander Albon – 5.0 – Teve azar na largada, perdendo a asa dianteira ao ser prensado por Pérez e Giovinazzi. Depois, em uma corrida sem safety-car, o tailandês só cumpriu tabela antes de voltar para a garagem em definitivo.

NC – Lando Norris – 5.5 – Foi um dos ‘e se?’ da corrida. O britânico estava segurando Verstappen quando sofreu falha nos freios, que ficaram quentes demais. Certamente não daria para segurar o holandês, mas pontos era uma possibilidade clara.

GP do Canadá – 6.0

Melhor GP: Bahrein (9.5)
Pior GP: Espanha (3.5)

Por mais divertido que tenha sido o pós-prova, nunca é um bom sinal quando o extra-pista ofusca a corrida em si. O GP do Canadá vai entrar para a história como a corrida em que Vettel trocou as placas de lugar e ameaçou não ir ao pódio. É que elementos como ultrapassagens e estratégia ficaram em falta. Mesmo assim, valeu a pena ficar com a TV ligada.

Média de cada piloto após GP de Mônaco

1º) Lewis Hamilton - 8.3
2º) Max Verstappen - 7.8
3º) Valtteri Bottas - 7.4
4º) Alexander Albon - 6.5
5º) Charles Leclerc - 6.4
5º) Sebastian Vettel - 6.4
7º) Sergio Pérez - 6.3
7º) Carlos Sainz Jr. - 6.3
9º) Nico Hülkenberg - 6.2
10º) Romain Grosjean - 6.0
11º) Kimi Räikkönen - 5.9
11º) Daniil Kvyat - 5.9
13º) Lando Norris - 5.8
14º) George Russell - 5.6
14º) Pierre Gasly - 5.6
14º) Lance Stroll - 5.5
17º) Daniel Ricciardo - 5.4
18º) Kevin Magnussen - 5.1
19º) Antonio Giovinazzi - 4.6
20º) Robert Kubica - 4.3