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Análise

A tradição mudou, resta saber se foi para melhor

Primeira corrida de classificação da história da F1 traz a energia da novidade, mas será que o interesse se mantém após passar a adrenalina da descoberta?

A exploração de algo novo é sempre empolgante. Traz aquela sensação de desconhecido, junto com a adrenalina da descoberta. Quem nunca se sentiu assim em uma viagem, um novo emprego ou em uma nova casa, por exemplo? Neste sábado, 17, a Fórmula 1 viveu o seu momento de inovação: a introdução da Classificação Sprint, ou Sprint Qualifying – ou, ficando apenas no idioma de Camões, a corrida de classificação.

A novidade foi empregada pela primeira vez neste GP da Inglaterra de 2021, em Silvestone – não por acaso, o mesmo lugar onde o mundial começou, em 1950.

A pergunta que fica agora é: qual sentimento ficará após a adrenalina da descoberta se esvair?

Afinal, após aquele primeiro momento de novidade, a adrenalina volta ao normal. Você conhece o lugar, se acostuma com o novo emprego ou cria uma rotina na sua nova casa, voltando aos exemplos do primeiro parágrafo. Com isso, podem acontecer duas coisas.

Verstappen assumiu a liderança da corrida logo após a largada (Foto: reprodução / Twitter / @RedBullRacing)

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A primeira é você adorar essa nova rotina, revisitando-a sempre em busca daquela sensação que teve da primeira vez – inclusive com uma certa nostalgia.

A segunda possibilidade é a frustração. Perceber que, sem a adrenalina, a nova realidade é pior que a anterior. Não vale a pena. Melhor voltar para o que era antes – o que nem sempre é possível, já que a vida segue o seu fluxo.

Confesso que não tenho, ainda, uma opinião de se gosto ou não dessa corrida de classificação. É interessante ver mais tempo de disputa na pista, movimentando mais o fim de semana da F1.

Porém, há claramente problemas no formato adotado pela categoria. Encarar uma corrida como classificação é, de certa forma, ir contra características básicas do esporte. O pole-position é o mais rápido em volta rápida, algo que, por mais que não valha pontos no campeonato, é uma métrica histórica importante.

Vamos ser sinceros: o pole do fim de semana foi visto no sábado. Ele se chama Lewis Hamilton.

Por outro lado, será que Max Verstappen poderia ser considerado, para as estatísticas, como um vencedor de GP, com a vitória de hoje? Difícil dizer.

A fórmula de pontuação também não ajuda. Gratificar apenas os três primeiros, com no máximo três pontos, deixa de premiar quem é mais arrojado no meio do pelotão – ainda que o resultado da corrida de classificação se reflita no grid de domingo.

Somando tudo isso, a fórmula é extremamente perversa para quem erra no sábado. Sergio Pérez, da Red Bull, vai largar em último no GP. Teria sido melhor o mexicano ser mais comedido e partir do meio do pelotão…

São ajustes que podem ser feitos. Com a promessa de ao menos três corridas de classificação em 2021, ao final teremos um veredito de que, se passada a adrenalina, vale a pena continuar com as corridas sprint.

Por enquanto, diria que sim – desde que acabem com essa história de misturar corrida com classificação.

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