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Análise

Parece que o jogo virou, não é mesmo?

A vitória fácil de Verstappen no GP da Estíria é o sintoma do, até aqui, grande domínio da Red Bull em 2021

Formato de classificação será alterado em Silverstone (Foto: Getty Images/Red Bull Content Pool)

Foi em 29 de agosto de 2014 que a grande pensadora Kristyellen Valentina postou no Twitter: “Não quis me beijar na 5ª série e agora vem aqui em casa para comprar sacolé fiado. Parece que o jogo virou, não é mesmo?”. Ela não sabia naquele momento, mas havia cunhado uma das grandes verdades do universo – e criado um meme.

Quase sete anos depois, a Red Bull e a Honda viraram o jogo. No GP da Estíria, realizado neste domingo (27) no Red Bull Ring, na Áustria, a união nipo-austríaca dominou a corrida com Max Verstappen, exatamente da mesma forma que a Mercedes fazia até outro dia com Lewis Hamilton.

A virada é importante em diversas camadas. Primeiro porque, desde 2014, parecia que a Mercedes nunca seria superada na Era Híbrida da Fórmula 1. Os alemães começaram a desenvolver as suas unidades de potência antes de todo mundo e, junto com uma boa aerodinâmica, inteligência tática e o braço de Hamilton, não pareciam ter páreo nos atuais termos técnicos.

Muitos tentaram, quase nunca conseguiram.

Red Bull: Verstappen liderou de forma contundente a corrida em Spielberg, tal qual a Mercedes fazia até pouco tempo atrás (Foto: reprodução / Twitter / @RedBullRacing)
Verstappen liderou de forma contundente a corrida em Spielberg, tal qual a Mercedes fazia até pouco tempo atrás (Foto: reprodução / Twitter / @RedBullRacing)

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A Red Bull, que era a grande equipe pré-2014, sofreu no começo dessa era atual. O casamento com a Renault naufragou, e se viram obrigados a partir para uma união com a Honda. Nada parecia dar certo para os austríacos, ainda que tivessem um grande piloto no primeiro carro – Verstappen.

A Honda, então, nem se fala. Os japoneses resolveram voltar para a categoria máxima do automobilismo um ano depois da introdução das unidades de potência híbridas, em uma jogada que se mostrou desastrosa. Saíram atrás no desenvolvimento e tiveram uma parceria problemática com a McLaren, que também vivia um momento péssimo internamente.

Nunca esqueceremos os gritos de “motor de GP2!” de Fernando Alonso no rádio em GP do Japão de 2015.

Corta para 2021. A prova em Spielberg marca a quarta vitória seguida da sinistra união Red Bull-Honda, sendo três com Verstappen e uma com Sergio Pérez. O time lidera o Mundial de Construtores com 40 pontos de diferença para a Mercedes, enquanto Max tem 18 pontos à frente de Lewis.

Será que Hamilton e a Mercedes poderão "desvirar" esse jogo? (Foto: reprodução / Twitter / @MercedesAMGF1)
Será que Hamilton e a Mercedes poderão “desvirar” esse jogo? (Foto: reprodução / Twitter / @MercedesAMGF1)

A vitória taurina na Estíria foi fácil, diria chata até. Sintomática das eras de grande domínio de um time sobre os outros. É definitivo e teremos isso até o final do ano? Difícil cravar. Porém, neste momento, a Red Bull está muito melhor que os outros – e semana que vem tem GP no mesmo circuito.

Isso considerando a Mercedes. Quando olhamos para a McLaren, ex-parceira da Honda, a diferença é ainda maior – mesmo com os ingleses tendo uma recuperação irretocável nos últimos anos. Custou caro para o time de Woking não dar aquele beijo na 5ª série.

O jogo virou. E, curiosamente, a Honda vai dar uma de Kristyellen: em seu melhor momento, não vai vender sacolé fiado. Quer dizer, vai deixar a F1 ao final deste ano. Ainda que seja uma decisão com fundo comercial, parece algo na linha do “não me quis quando estava na pior, não vou dar trela agora que estou na melhor”.

Uma ponta de preocupação para a Red Bull no futuro. Mas, quer saber? Pouco importa agora. Hoje eles estão no topo do mundo – que é redondo e dá voltas, sim.

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