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Como é trocar um pneu de F1

GRANDE PRÊMIO foi convidado para testar o simulador de pit-stops da Red Bull, em evento realizado em São Paulo. Equipe taurina sofreu com diretiva técnica da FIA que aumentou propositalmente o tempo de parada nos boxes

pit stop challenge red bull
(Foto: Alfred Jürgen Westermeyer / Red Bull Content Poo)

É da Red Bull o recorde de pit-stop mais rápido da Fórmula 1. Um trabalho para lá de sincronizado devolveu Max Verstappen de pneus novos para a pista em apenas 1s82 no GP do Brasil de 2019. Mas o que aconteceria se uma pessoa comum, sem treinamento, participasse da troca de pneus da equipe? Esse foi o desafio proposto pelo time taurino ao GRANDE PRÊMIO

O evento, reservado a convidados em razão da pandemia do novo coronavírus,  aconteceu na Oca do parque do Ibirapuera, na capital paulista. Essa foi a primeira vez que a equipe taurina trouxe um simulador de pit-stops para o Brasil e a ação faz parte dos preparativos para o GP de São Paulo, que acontece de 12 a 14 de novembro, no autódromo de Interlagos. 

Com sucessivas paradas abaixo de dois segundos e os oito melhores tempos da temporada, a Red Bull passou a ser alvo de protestos das demais equipes do grid, especialmente em um ano que a esquadra trava uma dura batalha contra a Mercedes. Foi daí então que a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) introduziu uma diretiva técnica a partir do GP da Hungria, no último mês de agosto, para atrasar propositalmente o processo e, por consequência, garantir mais segurança no aperto das rodas. 

De acordo com o artigo 12.8.4 do regulamento técnico, os dispositivos usados para instalar ou remover os fechos das rodas só podem ser alimentados por ar comprimido ou nitrogênio e “qualquer sistema de sensor só pode agir passivamente”. Havia a suspeita de que um componente eletrônico na pistola acionava o sinal para liberar o piloto para a pista. Fato é que, enquanto a Red Bull fez 1s88 em Hungaroring, a Alfa Romeo, segunda colocada, fez 2s18.

@grandepremio

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Os números de referência da FIA agora são 0,15s (centésimos) do aperto das porcas até o carro no chão, e 0,2s (décimos) até o piloto receber o sinal de partida. Os tempos, logo, subiram para 2s45, na parada da Mercedes, no último GP da Rússia. A medida, claro, não agradou aos chefes da equipe que se caracteriza por ser uma das mais inventivas dos últimos tempos na Fórmula 1.

“A F1 é o lugar de ter o carro com a maior tecnologia possível, o carro mais rápido possível, o piloto mais rápido possível, e isso é encantador para quem gosta de carro. Óbvio que todo mundo quer disputa, mas gosto dessa volta no tempo no pit-stop. Eu ainda diminuiria uma pessoa na hora do pit. Deixaria uma dupla trocando o pneu para trazer mais um elemento de emoção ainda”, disse o piloto Cacá Bueno, pentacampeão da Stock Car, também presente na simulação feita pela Red Bull em São Paulo.  

Diante desse desafio, o GRANDE PRÊMIO também se colocou à prova e até que não fez feio – a reportagem executou uma troca de pneus sozinha, sem os truques de edição de vídeo ou as sucessivas tentativas que não foram parar nas redes sociais dos influenciadores e youtubers especializados que também prestigiaram o evento.

Logo na primeira rodada, a reportagem cravou 19s61. Se infinito para uma corrida de verdade, era um tempo aceitável para quem estava sozinho, ao invés da parceria com dois mecânicos especializados. Para se ter uma ideia de tempo, Cacá e o apresentador Cassio Cortes fizeram a troca em 10s11. Mas o mais impressionante mesmo foi o tempo registrado pelos pilotos Diego Higa e Bruna Genoin: a dupla terminou com o melhor tempo do dia, com incríveis 5s4.

Apesar da tensão do relógio, a experiência dá uma noção do peso do pneu de 13 polegadas da Pirelli (consideravelmente mais leve, abaixo do 8 a 10 kg estimados para o dianteiro em dia de corrida) e do peso da parafusadeira (1,5 kg, no modelo utilizado no simulador). A altura para o encaixe correto da roda também é uma questão a ser levada em conta para ser presenteado com o barulho ensurdecedor da pistola, que soa como música para os amantes do automobilismo. 

Os mais inexperientes se perderam em uma manha que só quem vive no automobilismo foi capaz de ter. Ao soltar o botão do simulador no apagar da luz vermelha, era preciso pressionar a parafusadeira na quantidade certa para que a rosca saísse ainda engatada. Um pouco a mais ou menos de força fazia a porca rodar demais ou travar e isso influenciava consideravalmente no tempo. Quando tudo pronto, era hora de confirmar a troca no mesmo botão em que foi dado o início.

Isso tudo, claro, sem nenhum adversário por perto, tampouco a pressão do chefe Christian Horner ou dos pilotos Max Verstappen e Sergio Pérez. Quem pensa que é simples trocar um pneu de F1, pode pensar melhor na complexidade e tamanho do feito que a Red Bull conseguiu com o histórico 1s82.

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