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Análise

Na luta entre Hamilton e Verstappen, perde quem piscar primeiro

Em circuito novo e sem espaço para erros, a derrota está a um encontro com o muro da Arábia Saudita – e Verstappen já gastou a pouca gordura que tinha

A pista de rua de Jedá é polêmica. Técnica, rápida, mas também sem áreas de escape, com curvas cegas e, por isso, insegura. Independente de você ter gostado ou não do novo circuito, em um detalhe você concordará: não há espaço para erros no GP da Arábia Saudita. Uma situação que ganha novas camas nesta que é a mais espetacular disputa pelo título da Fórmula 1 dos últimos tempos – em uma prova que é o primeiro “championship point” da temporada 2021.

O fato é que Lewis Hamilton está oito pontos atrás de Max Verstappen na disputa pelo título do Mundial de Pilotos. O inglês da Mercedes precisa ser mais agressivo para superar o adversário – mas não muito, pois o holandês pode ser campeão se fizer 18 pontos a mais que o piloto da Mercedes.

Por outro lado, mesmo estando na frente, Verstappen também não tem direito de errar: oito pontos podem ser pulverizados rapidamente. Quase não dá para chamar essa diferença de “gordura”.

Nesse sentido, perderá o campeonato quem piscar primeiro.

Verstappen já deu uma piscadinha na classificação em Jedá (crédito: reprodução / Twitter / @F1)
Verstappen já deu uma piscadinha na classificação em Jedá (crédito: reprodução / Twitter / @F1)

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É aí que chegamos ao Q3 da classificação em Jedá, neste sábado, 4. Hamilton foi ao limite para conquistar o tempo de 1m25s511, ficando com a pole provisória. O bom desempenho do piloto da Mercedes fez o colega da Red Bull voltar mais uma vez para a pista – e foi pra lá do limite pra conseguir o primeiro lugar.

E ele iria chegar lá. Verstappen tinha os dois melhores primeiros setores da pista e tinha tudo para fazer a pole. Foi aí que, se não piscou com os dois olhos, o filho de Jos e Sophie-Marie deu aquela piscadinha marota com o olho direito. Encontrou o muro.

Para piorar, há a possibilidade da Red Bull ter que trocar o câmbio do carro avariado. Posições no grid podem ter que ser pagas.

A onda de má sorte não acaba aí: Valtteri Bottas, na outra Mercedes, superou o #33 da Red Bull, fazendo o segundo tempo. Verstappen tem que se contentar com o terceiro lugar no grid de amanhã.

Não por menos, Lewis deu aquele efusivo abraço no companheiro de time na coletiva após a classificação, tamanha a felicidade.

Nem tudo está perdido. Não parece ser fácil fazer ultrapassagens em Jedá, mas Verstappen ainda pode largar bem, além de se garantir na estratégia e/ou no braço – como Lewis faz no Brasil. Só que, na primeira parte da decisão do campeonato, ele perdeu.

Vamos ver o que vai acontecer no GP propriamente dito. Serão 50 voltas no limite, com muita velocidade e muros próximos. O erro é muito próximo, é muito fácil. Se Hamilton ou Verstappen passarem desse limite, pode-se decidir o campeonato.

E não é só eles, não. Batidas que provoquem safety-car ou outros desdobramentos no GP podem afetar essa disputa pelo campeonato. Há muitas coisas para levar em conta nessa equação. Dá até para pensar na estratégia já contando com as bandeiras amarelas.

Verstappen pode ter perdido a pouca gordura que tinha nessa reta final de campeonato (crédito: reprodução / Twitter / @RedBullRacing)
Verstappen pode ter perdido a pouca gordura que tinha nessa reta final de campeonato (crédito: reprodução / Twitter / @RedBullRacing)

Nesse caso, a maior experiência e a menor necessidade de afobação podem favorecer Hamilton.

No caso, quando digo “experiência”, é porque o piloto já esteve nessa situação: em 2007, no GP da China, o então piloto da McLaren poderia ser o campeão, mas teve um péssimo desempenho, sentindo a pressão e rodando de forma bizonha. É uma casca que o adversário de 2021 ainda não tem – porém, claro, não quer dizer que ele precise dela para se dar bem.

De qualquer forma, uma coisa é certa: a chance da Fórmula 1 ver um campeão – no caso, apenas Max Verstappen tem essa chance – neste domingo, agora, é quase nula. A decisão tem tudo para ir para Abu Dhabi.

Independente de quem for campeão, é bom para nós, o público. Uma disputa tão incrível pelo título da F1 podia continuar para sempre, não é mesmo?

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